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De onde vêm as palavras: Deu um nó, mas será um nó górdio?

Deonísio da Silva desata os nós dos três poderes da República

Por Augusto Nunes
Atualizado em 30 jul 2020, 21h27 - Publicado em 30 out 2016, 11h12

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Deu um nó nos três poderes referenciais da República. Executivo, Judiciário e Legislativo parecem de repente amarrados uns aos outros, e não independentes. Mas será um nó górdio?

Ao signatário cabe apenas lembrar a origem das duas frases tão célebres: DAR UM NÓ e NÓ GÓRDIO.  Acerca de sua significação política atual, o titular da coluna, o jornalista Augusto Nunes, desceu, como sempre, o seu “claro raio ordenador”.

A primeira frase, DEU UM NÓ,  procede de Portugal e da Índia, que tiveram laços perigosos durante muito tempo. Na terrinha, dar um nó era casar. E, como os vínculos do matrimônio católico, além de indissolúveis, eram e são perpétuos, quando se dizia que alguém tinha dado um nó , era indicação de que tinha casado.

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Na Índia não era metafórico, era literal. Era costume dar um nó na cauda das roupas da noiva e do noivo. Passou depois a indicar situação complicada, mas ainda como casar aparece em As variedades de Proteu, de Antonio José da Silva, o Judeu (1705-1739), escritor brasileiro  de apenas 34 anos, executado em Lisboa no garrote vil e depois queimado, enquanto a algumas quadras dali estava em cartaz uma peça de sua autoria. O trecho diz: “E antes te aperte o nó do Himeneu/ do que na garganta te aperte outro nó”. Ele teve premonição da tragédia que o vitimou! Deu um nó na garganta e não foi metafórico, foi literal.

Já a expressão NÓ GÓRDIO designa extraordinária dificuldade em determinada questão. Define o cerne de um assunto complicado, como é o caso. A história desta frase remonta aos tempos de Alexandre, o Grande (356-323a.C.), senhor de um império que incluía quase o mundo inteiro.

De acordo com a lenda, quem desatasse o nó que atava a canga ao cabeçalho do carro feito por um camponês frígio, dominaria o Oriente. O carro estava no templo de Zeus, na Frígia, região onde hoje está a Turquia.

Do nó, feito com perfeição, não se viam as pontas. Alexandre tentou desamarrar e, não conseguindo, cortou-o com a espada. E desde então este gesto tem servido de metáfora para designar ações ousadas com o fim de resolver problemas.

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Não chamem políticos supersticiosos para a tarefa. Tancredo Neves, quando viajava pela Índia, ao receber de presente um elefante de jade, ouviu o conselho de desfazer-se da oferenda porque o bicho estava com a tromba virada para baixo e isso dava azar. Ele, sem que o indigitado transeunte entendesse o gesto, deu a estatueta ao primeiro que encontrou.

Todos sabem o que lhe aconteceu: morreu na véspera de assumir a presidência da República. E foi substituído pelo vice, José Sarney, conhecido também por “madre superiora”, autor do romance O dono do mar, entre outros livros, mas cujo título completo, se fosse autobiografia, deveria ser O dono do Maranhão. É que, segundo o humorista José Simão, faltou espaço para a palavra completa na capa.

Os políticos nos divertem, “um divertido horror”, como diria Nelson Rodrigues, mas às vezes nos assustam muito. Foi o que aconteceu na semana passada. Alguns deles nos divertiram, mas outros nos assustaram muito.

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