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Augusto Nunes

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Celso Arnaldo: ‘Cada frase de Dilma no debate valeria uma internação no Sanatório’

São-paulino de brigar em botequim e único jornalista brasileiro especializado em dilmês, Celso Arnaldo teve de multiplicar-se, nesta quinta-feira, para ver o jogo sem ignorar o debate. O que viu e ouviu bastou para outra tomografia da mente inquietante da mais bisonha candidata da história do Brasil. Confira: Ontem à noite tive de fazer uma […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 14h37 - Publicado em 6 ago 2010, 15h18

São-paulino de brigar em botequim e único jornalista brasileiro especializado em dilmês, Celso Arnaldo teve de multiplicar-se, nesta quinta-feira, para ver o jogo sem ignorar o debate. O que viu e ouviu bastou para outra tomografia da mente inquietante da mais bisonha candidata da história do Brasil. Confira:

Ontem à noite tive de fazer uma Escolha de Sofia entre dois desastres anunciados: a eliminação de Dilma e a eliminação do São Paulo. Como são-paulino histórico, optei por esta – pelo menos fui recompensado com um time bem articulado, que soube responder aos ataques do Inter e esteve muito próximo da vitória consagradora.

Num momento de bola parada, zapeei para a Band. Vi uma jogadora de várzea tentando fazer duas embaixadinhas seguidas – perdeu a bola na primeira, bisonhamente:

– O Samu, que transporta crianças…

Perdão? O Samu, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, um dos raros serviços públicos de saúde com padrão de excelência, pelo menos em São Paulo, vai se tornar pediátrico no governo de Dilma?

Claro que não. Dilma não sabe o que é Samu — embora viesse incluindo esse programa como uma de suas falsas metas para a saúde. Dilma não sabe nada de coisa alguma.

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No intervalo, retornei ao debate, justo quando Dilma tentava, agonicamente, explicar sua política para a inclusão social de deficientes – que ela chamou de “excepcionais”, um termo em desuso. A resposta foi tão deficiente que valeria sua exclusão automática do debate e da cena política brasileira.

Nem precisei ver o resto, continuei sofrendo com meu São Paulo. Mas aposto minha carreira profissional como cada uma de suas frases no debate de ontem valeria uma internação no Sanatório. E, cada uma, um milhão de votos a menos do Brasil que pensa.

Nesta manhã, ouvi umas cinco ou seis pessoas de minhas relações, que não leem a coluna de Augusto Nunes e nem acreditavam em mim, dizendo-se chocadas com o desempenho de Dilma. Alguma surpresa para nós? Esperávamos algo melhor da mais estapafúrdia, ofensiva e despreparada candidatura da história da República?

No fundo, sim. Despreparo, normalmente, é um estado temporário de ignorância. Qualquer pessoa na posse de faculdades intelectuais medianas pode se preparar em qualquer assunto que desconheça, com treinamento, leitura, estudo, afinco.

Não Dilma. Ela é impreparável. Ter sido jogada ao primeiro debate nesse estado rudimentar de pensamento sobre virtualmente qualquer tema não foi falha de seu staff de campanha. A falha é estrutural – é do cérebro de Dilma, um dos órgãos com menor eficiência e apetrechamento da máquina estatal brasileira em todos os tempos.

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Do pouco que vi ontem e li hoje, o desempenho de Dilma no primeiro debate foi mais desastroso do que até os dilmólogos esperavam. Tão estarrecedor que até seus assessores mais próximos, os xiitas da campanha, devem ter entrado em desespero — porque há pelo menos mais quatro debates pela frente. Bem, isso pode até ser verdade, mas não em público. Os construtores da fraude se apressaram em mandar estampar hoje cedo como manchete principal do site oficial:

– Dilma estreia com vitória

Trecho do texto triunfal:

“Confiança, conhecimento e sinceridade na transformação do país. Foi o que Dilma Rousseff demonstrou no debate entre os candidatos na Rede Bandeirantes, na noite de quinta-feira. Dilma respondeu com elegância e profundidade às perguntas dos adversários e dos jornalistas da Band, mostrando que conhece a realidade do país e é a mais preparada para fazer o Brasil continuar avançando”.

Pior do que ver Dilma debatendo é olhar na cara dos filhos depois de escrever isso.

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