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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

‘Pimenta nos olhos’, de Carlos Brickmann

Publicado na coluna de Carlos Brickmann A espionagem americana era intolerável, tanto que a presidente Dilma cancelou a visita ao presidente Obama. Mas a espionagem do Brasil é boa e desejável, tanto que os brasileiros que vazaram sua existência serão severamente punidos, segundo nota do Governo. “O vazamento de relatórios classificados como secretos constitui crime”, […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 05h02 - Publicado em 6 nov 2013, 08h22

Publicado na coluna de Carlos Brickmann

A espionagem americana era intolerável, tanto que a presidente Dilma cancelou a visita ao presidente Obama. Mas a espionagem do Brasil é boa e desejável, tanto que os brasileiros que vazaram sua existência serão severamente punidos, segundo nota do Governo. “O vazamento de relatórios classificados como secretos constitui crime”, informa Brasília. Snowden, aqui como lá, iria a julgamento.

O Governo brasileiro tem razão nos dois casos; e não tem razão em nenhum dos dois. A espionagem deve ser combatida, deve haver protestos diplomáticos; mas sabendo-se que quem combate a espionagem também a faz. É dupla moral, sim. Faz parte do jogo internacional. Espionagem é um fato da vida: existiu, existe e continuará existindo, entre inimigos e amigos. Há que proteger-se, há que evitá-la, sabendo que sempre existirá. Há que monitorar amigos e inimigos, sabendo que, se descobrirem, haverá protestos e encenações de grande indignação. Só não se pode levar a sério as promessas de que essas coisas agora vão mudar.

Às vezes, espionar é vital. Richard Sorge, jornalista alemão a serviço da União Soviética no Japão, soube que a Alemanha declararia guerra a Moscou; Stalin não acreditou nele e foi surpreendido. Mais tarde, Sorge informou que o Japão não atacaria a URSS, permitindo que as tropas soviéticas fossem deslocadas para a frente alemã. Alguém acredita que algum país possa desistir dessas informações? O Brasil também as quer, claro.

Só não precisava passar pelo ridículo de ficar bravo com a espionagem de lá e com os vazadores da espionagem daqui.

Final infeliz
Richard Sorge foi capturado pelos japoneses, que o ofereceram à URSS em troca de espiões presos pelos soviéticos. Moscou rejeitou a proposta, alegando que nem sabia quem era aquele senhor. Sorge foi enforcado. Vinte anos depois, foi-lhe outorgado o título (merecido) de Herói da União Soviética.

Destino de mensaleiros
O ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, marcou para a semana que vem o julgamento dos embargos de declaração de dez mensaleiros. Se os recursos forem rejeitados, o STF poderá determinar o imediato início do cumprimento das penas a que foram condenados ─ alguns em regime fechado, outros em semiaberto.

Os recursos dos demais mensaleiros, que puderam apresentar embargos infringentes, deverão ser julgados no ano que vem.

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Auto-insuficiência
Lembra do presidente Lula, anunciando em 2005 que o Brasil tinha alcançado a autossuficiência em petróleo? Não era bem assim: nos primeiros nove meses de 2013, o déficit na conta-petróleo foi de US$ 10,9 bilhões.

É recorde: mais que o dobro do custo da transposição do rio São Francisco, ou da compra de caças supersônicos para a Força Aérea Brasileira, que se arrastam ambos desde 2008.

Bom livro, boa hora
O procurador João Benedicto de Azevedo Marques, ex-secretário nacional de Justiça, lança hoje o livro Violência e Corrupção no Brasil. Não poderia haver momento mais adequado: o que não falta é violência, a habitual e a dos baderneiros, nem corrupção, nos mais diversos níveis administrativos e com ampla participação de grandes empresas. Azevedo Marques reúne no livro 25 artigos sobre violência urbana, atuação das policias, políticas de segurança pública, maioridade penal, situação das prisões, ação do Ministério Público em investigações criminais.

Na Livraria da Vila, Alameda Lorena, 1731, SP, a partir das 18h30.

O próximo, o próximo! 
Candidato é o que não falta: escolha o seu! Quem será o próximo empresário “campeão nacional”, com farto apoio publicitário do Governo, ampla divulgação pela imprensa, acesso a excelentes financiamentos a juros baixinhos, a seguir o caminho de Eike Batista? Envie o nome do candidato (seu nome, caro leitor, só será citado se houver autorização expressa)!

Não precisa ter McLaren exposto na sala: basta ser favorito dos homi, gostar de arriscar nosso dinheiro, prometer transformar-se em maior do mundo, ligar-se a mulher bonita e colunável (recomendado, mas não obrigatório) e, em sua opinião, ostentar o perfil típico de quem tem multidões de amigos quando oferece gratuitamente lugar em jatinhos e helicópteros particulares, bons passeios, bons jantares e bebidas bem caras.

Então é Natal
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, está caprichando: depois de criar o vice-ministério da Suprema Felicidade (por que é “vice-ministério” e não “ministério”?), decidiu mudar por decreto a data tradicional do nascimento de Jesus. Na Venezuela, o Natal passou a ser comemorado no dia 1º de Novembro. “Queremos a felicidade para todo o povo, a paz”, disse Maduro. “O Natal antecipado é a melhor vacina para aqueles que querem inventar tumulto e violência”.

E ─ acredite ─ inaugurou em Caracas a Feira Natalina Socialista 2013.

Que o caro leitor não se assuste: Maduro já conversou com um passarinho, a quem considerou porta-voz do falecido presidente Hugo Chávez; e viu nas paredes de um túnel que está sendo escavado em Caracas a imagem de Hugo Chávez, que estaria ali para solidarizar-se com os operários. Maduro é assim mesmo.

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