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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

‘Melhor um prefeito inteiro de meio mandato que meio prefeito de um mandato inteiro’, por Mauro Pereira

MAURO PEREIRA Apesar dos esforços para vender à opinião pública a mesma imagem que num passado recente refletia um partido com conceitos éticos e princípios ideológicos definidos, a cada ação destrambelhada de seu principal líder o Partido dos Trabalhadores dá sinais visíveis do definhamento político que o consome. Do partido que se gabava de cultivar […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 08h39 - Publicado em 10 jun 2012, 14h13

MAURO PEREIRA

Apesar dos esforços para vender à opinião pública a mesma imagem que num passado recente refletia um partido com conceitos éticos e princípios ideológicos definidos, a cada ação destrambelhada de seu principal líder o Partido dos Trabalhadores dá sinais visíveis do definhamento político que o consome. Do partido que se gabava de cultivar a liberdade de pensamento e tratar todos os filiados com isonomia restou uma legenda desfigurada pela paulatina fragilização das lideranças emergidas naturalmente das bases partidárias, irreversivelmente estigmatizada como sinônimo de corrupção e que já se conformou em ser mero animalzinho de estimação de Lula.

O PT deita docilmente quando é mandado deitar, senta quando é mandado sentar, rola quando é mandado rolar e curva-se à insignificância quando o chefe ornena que se anule. Lula só não tem coragem de mandar fingir-se de morto, pois o escândalo do mensalão não o deixa esquecer que, desde então, o PT se finge de vivo. Fora o desdém pelo Legislativo e o desrespeito ao Judiciário, nada parece tão prazeroso ao ex-presidente que humilhar seus parceiros de partido. Ele nunca desperdiça chances de constrangê-los publicamente. Sem o menor vislumbre de remorso, não hesita em destruir antigos companheiros, não poupando sequer os que desempenharam papeis relevantes em sua ascensão.

A escolha do candidato a prefeito de São Paulo deixou claro que no PT manda quem pode e obedece quem tem juízo. Nomes históricos e com razoável cacife eleitoral ─ Marta Suplicy, por exemplo ─ são, mais que ignorados, reduzidos a bodes expiatórios escalados para o linchamento político se o fracasso nas urnas for o preço a ser pago pela arrogância do chefe. A senadora a ex-prefeita não escondeu seu desconforto com o tratamento desrespeitoso conferido à sua biografia na entrevista de Lula ao apresentador Ratinho, e não compareceu à festança preparada pela vassalagem para consolidar o império lulista e oficializar a candidatura do ex-ministro da Educação.

Ao lhe perguntarem o que tinha a dizer sobre a reação de Marta, Lula entregou-se ao pleno exercício do cinismo: “Isso é problema do diretório de São Paulo, pois sou filiado ao de São Bernardo do Campo”, fantasiou. A história ensina que os cínicos também enrouquecem. A cada rendição aos caprichos do ex-presidente, mais o Partido dos Trabalhadores se apequena e compromete a própria sobrevivência.

A tática empregada na campanha eleitoral deste ano será a de sempre: baixar o nível da disputa e valer-se de ataques pessoais para desconstruir a candidatura do principal adversário. A ordem é substituir ideias por insultos. “Velharia”, “desgastado”, “parado no tempo” ─ essas e outras expressões grosseiras já frequentam o discurso dos petistas quando se referem a José Serra, candidato do PSDB. A divulgação de denúncias apócrifas e de patifarias diversas ficará por conta das “Quanto É?” e das “Cartas a Serviço do Capital” disponíveis no mercado negro. Levando-se em conta que a campanha nem começou oficialmente, deve-se esperar, na mais branda das hipóteses, o mesmo espetáculo sórdido protagonizado na eleição presidencial de 2010 pelo partido simbolicamente presidido por Rui Falcão.

Nas poucas vezes em que foi liberado para dizer o que pensa, Fernando Haddad mostrou-se pronto para desempenhar o papel de boneco de ventríloquo. Ele recomenda aos paulistanos, por exemplo, que não elejam um prefeito de meio mandato. Não sei se votaria ou não num prefeito inteiro de meio mandato. Depende das circunstâncias. O que eu sei é que jamais votaria em um meio prefeito de mandato inteiro. Nem sob tortura.

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