‘Bate em todos, não bate em ninguém’ por Carlos Brickmann
PUBLICADA NA COLUNA DE CARLOS BRICKMANN CARLOS BRICKMANN Há muito tempo, numa conversa em off (absolutamente sigilosa) um político importante previu que certa investigação policial não daria em nada. Não pode dar, explicou: atinge gente importante de todos os partidos. Explosiva demais. A CPI sobre Carlinhos Cachoeira está morrendo por este motivo: o grupo do bicheiro movimentou […]
PUBLICADA NA COLUNA DE CARLOS BRICKMANN
CARLOS BRICKMANN
Há muito tempo, numa conversa em off (absolutamente sigilosa) um político importante previu que certa investigação policial não daria em nada. Não pode dar, explicou: atinge gente importante de todos os partidos. Explosiva demais.
A CPI sobre Carlinhos Cachoeira está morrendo por este motivo: o grupo do bicheiro movimentou R$ 84 bilhões, fartamente distribuídos sem levar em conta as legendas ─ apenas os benefícios que seria possível obter com as transações. O número foi citado por Lauro Jardim e é impressionante. É uma quantia imensa, é dinheiro saindo pelo ladrão.
Esqueça essa bobagem de prorrogação da CPI: estamos no fim do ano e as atenções se voltam exclusivamente ao Mensalão e ao segundo turno. Terminados esses eventos, ninguém vai voltar a trabalhar no Congresso, não. Haverá as festas de fim de ano, a posse dos novos prefeitos, o Carnaval, a Semana Santa, e só então Senado e Câmara voltam às atividades normais (que também já não são lá essas coisas). A CPI do Cachoeira será um tema do passado ─ pura cascata.
No máximo, se os governistas da CPI estiverem dispostos a trabalhar duro, conseguirão pedir o indiciamento do governador tucano de Goiás, Marconi Perillo (algo para contrapor ao Mensalão, tipo “eu sou, mas quem não é?”). E ponto final nas indagações e pesquisas, que ninguém é de ferro. Aliás, seria interessante verificar quantos dos sigilos abertos por ordem da CPI foram analisados.
E em 2014 teremos Copa. Quem vai se preocupar com quem levou bola?







