Lançado com toda a pompa, o vinho de Neymar virou gol contra nas vendas?
Linha com o nome do craque aparece hoje em algumas gôndolas de mercados em SP com uma goleada de descontos
Ao contrário dos grandes vinhos, é muito difícil que o talento de um craque envelheça bem com o tempo. O argentino Messi é uma das exceções. Neymar vem comprovando a regra. Salvo raros momentos de brilho, parece estar no crepúsculo da carreira sem nunca ter chegado ao estágio que prometia quando despontou nos gramados. Fora dos gramados, continua faturando alto com sua imagem, chutando a bola na direção de iniciativas comerciais diversas, incluindo o lançamento de uma linha de vinhos.
Lançado às vésperas da Copa do Mundo, quando a seleção brasileira ainda era mais promessa do que certeza, Le Prince, o vinho do jogador, chegou ao mercado cercado de mistério e com uma ambição clara: disputar espaço com a cerveja. O corte de Cabernet Sauvignon, Malbec e Merlot, produzido no Vale Central, no Chile, tinha um craque no rótulo e um master of wine por trás da escolha. Dirceu Viana contou que a ideia era justamente criar um vinho capaz de entrar na disputa pelo consumidor que normalmente escolhe cerveja. Aparentemente, a disputa está mais difícil do que se imaginava.
Há menos de três meses nas prateleiras dos supermercados paulistas, o Le Prince já aparece em uma promoção que merece atenção. No Fort Atacadista de Interlagos, na zona sul de São Paulo, a primeira garrafa custa R$ 45,90. A segunda, R$ 9,18. Sim. Nove reais e dezoito centavos — 80% de desconto, portanto. A título de curiosidade, um Pergola, popular vinho suave de mesa, campeão de vendas há 12 anos no Brasil, custa entre R$ 21 e R$ 27, a depender do estado.
A promoção coloca o vinho de Neymar em uma situação curiosa: a segunda garrafa custa praticamente o mesmo que uma cerveja de 600 ml. Se a intenção era enfrentar a cerveja, pelo menos no quesito preço a partida ficou acirrada.
Neymar não seria o primeiro famoso a tentar transformar celebridade em vinho. Brad Pitt tem o Miraval. Bon Jovi, o Hampton Water. Jay-Z, o Armand de Brignac. São projetos que ajudaram a mostrar que fama e vinho podem formar uma dupla bastante lucrativa.
Mas existe uma diferença entre colocar um nome conhecido no rótulo e fazer o consumidor levar a garrafa para casa. Talvez o futebol do craque, ou a falta dele, tenha se refletido nas prateleiras. Difícil driblar essa realidade.







