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Você é de direita ou esquerda? A resposta pode estar em seus genes, diz estudo

De acordo com pesquisadores, as variantes do gene DRD4 têm grande influência para determinar se alguém será liberal ou conservador

O segredo para saber se alguém é de direita ou de esquerda pode estar, em parte, na genética. De acordo com um estudo publicado nesta quarta-feira (5), na revista britânica Proceedings of the Royal Society B, há forte vínculo entre variações no gene DRD4, que codifica o neurotransmissor dopamina, e o favoritismo político.

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Para chegar a essa conclusão, um grupo de cientistas da Universidade Nacional de Cingapura analisou o genoma de 1 771 estudantes universitários da etnia han – a principal da China. Foram recolhidos sangue e saliva dos participantes, para a análise do DNA, e eles também responderam um questionário sobre características pessoais e orientação política.

A partir da análise, os pesquisadores observaram uma forte conexão entre algumas variações no gene DRD4 e a preferência conservadora ou liberal. O fator determinante para a orientação é uma pequena fração do gene, composta de 48 bases que se repetem entre duas e onze vezes. A maior parte dos participantes exibia as variações com duas ou quatro repetições. Aqueles que apresentavam quatro repetições no gene se mostraram mais conservadores do que os com duas. Para as mulheres, a conexão é ainda mais forte.

Essa molécula de DNA tem papel importante na transmissão da dopamina, que influi em funções neurológicas como memória, aprendizagem e criatividade.

Política nos genes – Não é a primeira vez que um estudo encontra a relação entre o DNA e as preferências políticas. Uma pesquisa publicada em 2010 por cientistas americanos foi a primeira a analisar a relação entre o gene DRD4 e a orientação política. No entanto, o contexto e o círculo de amizades tinha influência determinante sobre a expressão dos genes.

O pesquisadores do novo estudo destacam que as tendências políticas de um indivíduo também dependem de fatores conjunturais e educativos. Para Richard Ebstein, líder do estudo e pesquisador do departamento de psicologia da universidade, “todos estes fatores devem ser levados em conta para entender as diferentes sensibilidades políticas, mas a biologia não pode ser ignorada”.

(Da redação)