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Via Láctea está envolta em halo de gás quente, diz pesquisa

Descoberta pode ajudar a resolver o problema dos "bárions desaparecidos da galáxia". Partículas, que intrigam cientistas há 10 anos, estariam escondidas no halo

Informações coletadas pelo observatório orbital Chandra, da Nasa, revelam que a Via Láctea está envolvida em um enorme halo de gás quente com milhares de anos-luz de extensão. Sua massa seria comparável à soma de todas as estrelas da galáxia.

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BÁRIONS

Bárions são partículas subatômicas pesadas, como prótons e nêutrons, que constituem mais de 99,9% da massa dos átomos encontrados no cosmos.

Um grupo de astrônomos conseguiu calcular, a partir de dados dos observatórios Chandra e XMM-Newton, este da Agência Espacial Europeia, e do satélite japonês Suzaku, a temperatura, a massa e a extensão desse halo de gás que envolve a Via Láctea. A temperatura, por exemplo, foi estimada entre 1 milhão e 2,5 milhões kelvins (equivalente ao mesmo valor em graus Celsius), centenas de vezes mais quente do que a superfície do sol. “Nós sabemos que o gás envolve a galáxia e sabemos o quão quente ele é”, diz Anjali Gupta, responsável pelo estudo publicado no início de setembro no The Astrophysical Journal.

Caso a massa e a temperatura do halo de gás sejam confirmadas, a descoberta pode ajudar a resolver o problema conhecido como os “bárions perdidos da galáxia.” Bárions são partículas, como prótons e nêutrons, que constituem mais de 99,9% da massa dos átomos encontrados no cosmos. Anteriormente, ao analisar halos de gás e galáxias muito distantes, os cientistas descobriram que a massa bariônica, quando o universo tinha apenas alguns bilhões de anos, representava um sexto da massa e da densidade da matéria não observável (ou matéria escura). Só que em uma nova pesquisa, com o objetivo de estimar o total de baríons em estrelas e gases da Via Láctea e galáxias vizinhas 10 bilhões de anos depois, simplesmente metade dos baríons não foi encontrada.

Estudos anteriores já mostraram a existência de um “gás morno” que cerca a Via Láctea, numa temperatura que varia de 100.000 a 1 milhão kelvins.

Dessa forma, o trabalho de Gupta sugere, apesar de ainda existirem incertezas, que os baríons fujões estariam escondidos no halo de gás quente, de milhões de kelvins, que cerca a galáxia. Além do mais, o achado de Gupta indica que o halo de gás quente tem massa muito superior ao de gás morno, podendo variar de 10 bilhões a 60 bilhões de vezes a massa do Sol.

Determinar a massa depende de fatores como a quantidade de oxigênio em relação ao hidrogênio, elemento dominante no gás. Ainda assim, a estimativa representa a melhor explicação para resolver o problema, de mais de uma década, dos “bárions perdidos.”

A densidade do halo é pequena, uma possível razão para que halos em outras galáxias não tenham sido notados pelos cientistas.