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Vaticano pede acesso irrestrito a tratamento anti-Aids

O Vaticano pediu, esta quinta-feira, acesso às terapias contra a Aids para “todos as camadas da sociedade” e defendeu novamente a “abstinência” e a “fidelidade conjugal” como métodos para evitar o contágio.

Em mensagem divulgada por ocasião do Dia Mundial contra a Aids, o Conselho Pontifício para a Saúde reconheceu que muitas vítimas que morreram devido à doença teriam podido se salvar “se tivessem tido um tratamento adequado, como o conhecido como terapia antiretroviral”.

Na mensagem, a Igreja católica pede acesso “universal” aos tratamentos para “todos os povos e para todas as camadas sociais”.

O comunicado, assinado pelo arcebispo Zygmunt Zimowski, presidente do conselho pontifício, também pede para promover “a prevenção da transmissão de mãe para filho e a educação para estilos de vida que incluam uma abordagem correta e responsável da sexualidade”.

“Este também é um momento privilegiado para relançar a luta contra o preconceito social”, acrescentou.

Calcula-se que 1.800.000 pessoas tenham morrido a cada ano vítimas da Aids, principalmente na África, o continente mais castigado pela doença e onde vivem 22,9 dos 34 milhões de contaminados no mundo.

“Não se justifica mais a transmissão da infecção de mães para filhos”, afirmou o representante do Vaticano.

Para a hieraquia da Igreja, “continua sendo fundamental a formação e a educação de todos e, em particular, das novas gerações, a uma sexualidade baseada em ‘uma antropologia ancorada no direito natural e iluminada pela Palavra de Deus'”, destacou o texto.

“A Igreja pede um estilo de vida que privilegie a abstinência, a fidelidade conjugal e o repúdio à promiscuidade sexual (…) para conseguir um desenvolvimento integral da pessoa”, reiterou a nota.

A Igreja, mais do que condenar o uso do preservativo como método de prevenção, o que é rejeitado por organizações internacionais e humanitárias, exige “uma resposta médica e farmacêutica”, ao mesmo tempo em que reconhece que se trata de um problema “antes de mais nada ético”, segundo a “Exortação Apostólica” para a África assinada em novembro passado pelo papa Bento XVI.

O tema gerou discussão, sobretudo depois que em 2009, durante sua primeira viagem à África, o Papa rejeitou o uso do preservativo para lutar contra a Aids porque “agrava o problema”, gerando uma chuva de reações negativas de vários países.

No ano passado, Bento XVI surpreendeu ao aceitar o uso de preservativos tanto por mulheres quanto por homens para evitar a propagação da Aids através da prostituição, em um livro entrevista apresentado oficialmente no Vaticano.

A abertura do Papa ao uso do preservativo “em certos casos”, embora não questione sua proibição na doutrina da Igreja, foi um passo importante.