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US$ 7 bilhões e 20 anos de trabalho para provar se existiu vida em Marte

A NASA já tem sua primeira amostra do solo do planeta vermelho: o desafio agora é trazê-la para a Terra

Por Sergio Figueiredo Atualizado em 10 set 2021, 14h17 - Publicado em 10 set 2021, 13h58

Quanto custa para provar se existiu ou não vida em Marte? Segundo os números fornecidos pela Nasa e os cálculos adicionais de auditores independentes, pelos menos 7 bilhões de dólares — além de, no mínimo, 20 anos de trabalho. Em 1° de setembro, o Perseverance, rover que opera de forma semiautônoma com comandos que partem da Califórnia, Estados Unidos, enviou imagens mostrando que havia conseguido perfurar uma rocha com sua broca e recolhido dela alguns gramas de amostra. Confirmada a operação, o jipe-robô recebeu instruções para lacrar o conteúdo a vácuo em um dos 43 tubos que leva consigo e que serão usados para recolher mais sedimentos da cratera Jezero, nome designado a um lago onde cientistas acreditam ter existido vida microscópica 3,5 bilhões de anos atrás. A prova de que houve vida no planeta vermelho estaria hoje fossilizada nas pedras.

Essa pequena manobra de perfuração e coleta foi celebrada com festa na agência espacial americana, pois ela representa o ápice de uma operação que começou em 2013, ano em que o projeto Perseverance começou a ser elaborado, e que só deve terminar em 2023, quando for recolhida a última amostra da cratera, que tem cerca de 45 quilômetros de extensão. Segundo a Nasa, a missão consumiu até agora 2,7 bilhões de dólares, somando o custo do rover e da nave que o levou até Marte, o foguete usado no lançamento e a equipe que opera o robô desde seu pouso em 18 de fevereiro deste ano. E essa foi a etapa mais barata e mais fácil.

A Nasa ainda não se pronunciou oficialmente, mas a segunda fase deverá ser concluída somente em 2033, a um custo estimado de 4,3 bilhões de dólares. Esse é o montante mínimo que analistas acreditam ser necessário para enviar outra nave a Marte com dois componentes: um robô de pouso e uma sonda orbital. O primeiro irá descer ao planeta para recolher os tubos e embarcá-los em um pequeno foguete, que levará a preciosa carga até a sonda que estará aguardando na órbita de Marte. Uma vez recebido o conteúdo, a sonda iniciará sua viagem de volta à Terra.

Caso a carga não sofra nenhum dano ou contaminação (por isso os sedimentos são selados a vácuo), cientistas poderão investigar o material fossilizado e saber se eles contêm microrganismos ancestrais, que comprovariam que, em um passado distante, antes mesmo que a espécie humana surgisse na face da Terra, alguma forma de vida existiu no planeta vermelho. É um tanto perturbador pensar que algumas das pessoas que iniciaram o projeto há 8 anos talvez não estejam vivas para ver a conclusão da saga daqui a uma década. Vinte anos de trabalho e 7 bilhões de dólares poderão resultar em uma das maiores descobertas do século. Ou terminar em poeira sem valor.

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