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Uma em cada seis espécies pode ser extinta devido às mudanças climáticas

Estudo publicado na Science afirma que as biodiversidades mais prejudicadas serão as da América Latina, Austrália e Nova Zelândia

Pesquisa divulgada hoje na revista americana Science mostra que, se as emissões de gás carbônico continuarem no mesmo ritmo, levando a um aumento de até 4,3 graus de temperatura em 90 anos, uma em cada seis espécies de animais e de plantas deve ser extinta. Caso os esforços globais de mitigação surtam efeito e consiga-se limitar o aquecimento a apenas dois graus até o fim do século, o risco passaria a ser 10% menor.

As espécies que têm como habitat a América Latina, Nova Zelândia e Austrália serão as mais ameaçadas. Isso porque uma das consequências do aquecimento global é o aumento do nível do mar, que faria com que a área dos territórios diminuíssem. Para agravar a situação, muitas dessas regiões têm terrenos acidentados, cortados por rios, montanhas ou florestas densas, que funcionam como barreiras e dificultam a migração dos animais.

“É importante ressaltar que os modelos utilizados para prever os riscos de extinção são bastante completos, mas não são perfeitos”, disse a VEJA o americano Mark Urban, professor de biologia da Universidade de Connecticut e autor do estudo. “Não é analisado, por exemplo, o potencial que as espécies têm de se adaptar às mudanças climáticas. Mas há outros fatores que poderiam aumentar a taxa de risco que também ficaram de fora”.

Para chegar a essas conclusões, o pesquisador se debruçou sobre 131 estudos focados em biodiversidade, ou seja, que analisavam várias espécies simultaneamente, feitos em lugares diferentes, com métodos diversos. Desse material, ele analisou fatores como grupos taxômicos, localização geográfica do lugar, temperatura global registrada naquele ano e distribuição das espécies. Os dados comprovaram que as mudanças climáticas são o agente mais relevante no aumento do risco de extinção para as espécies.

Para evitar que isso ocorra, é preciso que governos se comprometam com metas ambiciosas de redução de emissão do gás carbônico no próximo acordo climático mundial, que será assinado na Cúpula do Clima de Paris no fim do ano. Em menor escala, é importante estabelecer estratégia de proteção e conservação para as espécies ameaçadas.

“Tenho esperanças de que esse estudo forneça um novo fator motivante, que faça com que os líderes globais encarem a redução de emissões de forma mais séria”, disse Urban. “A biodiversidade é base para nossa economia, alimentação, saúde e cultura. Não podemos perdê-la”.