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Um universo dentro de cada buraco negro

Pesquisador polonês utiliza "versão estendida" da teoria da relatividade para explicar como um universo consegue caber dentro de um buraco negro

“Talvez os massivos buracos negros que existem no centro da Via Láctea e outras galáxias sejam portais para outros universos” diz Nokodem Poplawski

Tudo que existe – átomos, planetas, galáxias, matéria negra, inclusive o próprio tempo – nasceu de um buraco negro. E esse buraco negro estaria dentro de outro universo. E assim por diante. A afirmação parece descabida e sem resposta, mas um cientista da Universidade de Indiana, nos EUA, levou a questão muito a sério. Tão a sério que publicou um artigo para explicar melhor o que queria dizer.

Usando uma adaptação da Teoria da Relatividade de Albert Einstein, o pesquisador polonês, chamado Nokodem Poplawski, analisou o movimento teórico das partículas que entram em um buraco negro. Ele concluiu que é possível que um universo completamente novo exista dentro de cada buraco negro. Ele contou à revista britânica New Scientist que “talvez os massivos buracos negros que existem no centro da Via Láctea e outras galáxias sejam portais para outros universos”. Poplawski considerou uma versão “estendida” da teoria da relatividade de Einstein, chamada Einstein-Cartan-Kibble-Sciama, para explicar que as partículas dentro do buraco negro estariam em movimento circular, gerando um efeito físico que repeliria a gravidade. Segundo o pesquisador, em vez de se transformar em uma singularidade – conceito na teoria de Einstein que diz que os buracos negros são pontos de densidade infinita de volume zero – o espaço-tempo age como uma mola sendo comprimida pela expansão contínua da matéria. Esse efeito de repulsão seria causado pela torção do espaço-tempo reagindo contra a força gigantesca da gravidade no buraco negro. É por isso que o universo que conseguimos enxergar hoje estaria em constante expansão. Poplawski afirma que essa é a razão pela qual nosso universo é achatado, homogêneo e uniforme em todas as direções. Para verificar se a teoria do cientista está correta, seria preciso pular em um buraco negro e ver o que existe lá dentro. O problema é que nada consegue escapar de um buraco negro, nem a luz. Ou seja, nada do que acontece em um hipotético universo dentro de um buraco negro chegaria ao conhecimento do universo “aqui de fora”. Mas Poplawski disse que se estamos vivendo em um buraco negro que gira, esse movimento poderia ser passado ao espaço-tempo dentro dele, do mesmo modo que se girarmos constantemente para um dos lados uma vasilha que contém água, o próprio líquido adquiri movimento para o lado girado. Segundo o especialista, isso significa que teríamos um fenômeno mensurável, que poderia explicar muitas inconsistências nas teorias atuais – como o desequilíbrio entre a matéria e a antimatéria no universo.