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Tocar robôs em “áreas íntimas” pode excitar humanos, sugere estudo

A noção de normas sociais foi transferida para relações com máquinas, fazendo com que o corpo respondesse de forma fisiológica ao ato, não necessariamente com pensamentos sexuais

Humanos podem se sentir excitados ao tocar robôs em “partes íntimas”, descobriu um cientista da Universidade de Standford – e esse não é um roteiro alternativo do filme “Ela”, de Spike Jonze. A relação entre indivíduos e máquinas, que desperta interesse popular e já foi tema de diversos filmes de Hollywood, pode estar se aprimorando: de acordo com a nova pesquisa, os humanos tendem a agir como se os robôs possuíssem os mesmos tipos de normas sociais que as pessoas. Ao tocar em partes como as nádegas da máquina, por exemplo, o corpo dos humanos parecia estar “em atenção”, respondendo fisiologicamente ao ato. Os resultados da pesquisa podem auxiliar no desenvolvimento da próxima geração de robôs para pesquisa e assistência humana.

Jamy Li, um estudante de phD no Departamento de Comunicação da Universidade de Standford, na Califórnia, programou um pequeno humanoide (robô com aparência humana) e realizou um experimento com 10 voluntários, quatro mulheres e seis homens, que acreditavam estar fazendo uma lição de anatomia. A máquina, com uma voz feminina, pedia que os voluntários apontassem ou tocassem 13 partes do corpo humanoide (incluindo orelhas, olhos, nádegas e genitália não articulada) enquanto um sensor media a condução elétrica da pele dos humanos. O estudo revelou que os indivíduos apresentavam baixos níveis de condução ao apontar partes do corpo e tocar locais como orelha e mãos; no entanto, ao tocar locais considerados como “íntimos” ou de mais difícil acesso no corpo humano, tais como nádegas e genitália, o nível de condução elétrica aumentava consideravelmente.

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Normas sociais – Quando o corpo fica em estado de alerta, como ocorreu em 90% dos voluntários, o sistema nervoso simpático começa a trabalhar, enchendo dutos de suor e aumentando a condutividade da pele. Ao retratar que o corpo dos voluntários ficou “excitado”, portanto, Li não sugeriu que os participantes apresentaram pensamentos sexuais ao tocar o humanoide, mas simplesmente que, quando encostaram nas partes “íntimas” do robô, o corpo dos indivíduos respondeu fisiologicamente, entrando em estado de alerta. Conforme o pesquisador, os participantes estavam cientes das implicações sociais que o toque em determinadas áreas teria em outro humano e a transferiram para sua relação com a máquina. “Vimos uma tendência de tratar o robô como se ele tivesse regras sociais que se aplicavam a ele. Talvez as pessoas sintam que os robôs com corpos semelhantes aos humanos sejam mais próximos do que seria uma pessoa”, disse Li ao periódico Washington Post.

Os resultados serão apresentados na 66ª Conferência Anual da Associação Internacional de Comunicação, em junho. A partir desse estudo será possível desenvolver novas formas de uso para os robôs baseadas nas normas sociais, levando em consideração o conforto dos humanos em situações interativas.

(Da redação)