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Sonda completa ‘rasante’ em lua de Saturno em busca de rastros de vida

Objetivo foi recolher amostras do oceano sob a superfície gelada de Enceladus, que poderia ser propício ao desenvolvimento de formas de vida microbianas

A sonda Cassini completou nesta quarta-feira (28) um voo rasante sobre Enceladus, uma das luas de Saturno que mais intriga os cientistas. A viagem servirá para investigar se o oceano sob a superfície gelada do satélite pode abrigar formas de vida. A passagem foi feita a uma velocidade de 30.600 quilômetros por hora e a uma distância de 49 quilômetros, o voo mais próximo já feito dessa lua.

Durante a passagem, a sonda recolheu amostras de jatos d’água expelidos do polo Sul de Enceladus – o que o cientista Chris McKay, da Nasa, chamou de “amostras grátis” do oceano submerso. O objetivo principal da missão, feita em conjunto entre a Nasa, a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) e a Agência Espacial Italiana, é verificar a quantidade de hidrogênio contido nessas gotas, que indicaria qual a energia e calor gerados pelas reações químicas que estariam ocorrendo no oceano do satélite.

“Isso é um grande passo em uma nova era na exploração de mundos oceânicos no nosso Sistema Solar com potencial para oferecer oásis para a vida”, disse o cientista Curt Niebur, membro da missão.

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Sinais de vida – Quando a missão Cassini foi lançada, em 1997, para buscar informações sobre Saturno, seus anéis e campo magnético, a busca de sinais de vida fora da Terra ainda não fazia parte da agenda científica. A sonda, que orbita Saturno desde 2004, não foi equipada para capturar micróbios ou detectar vida, mas durante suas passagens por Enceladus, uma das 62 luas de Saturno, ela encontrou diversas moléculas associadas à vida: vapor d’água, dióxido de carbono, metano, nitrogênio, propano, acetileno, formaldeído e traços de amônia.

Se for detectado hidrogênio e suas análises indicarem possibilidades de atividade vital, novas missões podem ser desenhadas para chegar até a lua e detectar ou mesmo trazer para a Terra algumas dessas formas de vida.

Como a água é um dos ingredientes primordiais à vida na Terra, pois todas as reações químicas vitais dependem dessa substância, os cientistas acreditam que, se houver vida fora da Terra, ela poderá ser detectada em algum desses oceanos extraterrestres. Os oceanos sob a superfície congelada de Enceladus e de Europa, lua de Júpiter são as regiões mais promissoras do espaço para essa busca. Junto a elas estão Marte, que já demonstrou ter água líquida em sua superfície, e Titã, a maior lua de Saturno, que apresenta lagos de metano e uma atmosfera grossa o bastante para proteger formas de vida.

(Com Estadão Conteúdo)