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Sol é mais redondo do que astrônomos acreditavam

Cientistas presumiam que o formato do Sol mudava de acordo com seu ciclo de manchas solares, que dura 11 anos. Mas, ao usar os dados coletados durante dois anos, eles notaram que essa variação era praticamente imperceptível

Por Guilherme Rosa Atualizado em 6 Maio 2016, 16h28 - Publicado em 16 ago 2012, 17h25

O formato do Sol é mais constante e redondo do que os cientistas pensavam. Uma nova pesquisa publicada na revista Science, que usou imagens obtidas pelo Solar Dynamics Observatory, da NASA, mostrou que a variação na forma do sol durante o tempo é muito menor do que as estimativas previam.

“O sol é o objeto mais redondo que o homem já mediu”

Marcelo EmilioDiretor do Observatório Astronômico da Universidade Estadual de Ponta Grossa e um dos autores do estudo publicado na Science

Por que os cientistas pensavam que o Sol era mais achatado? Todo objeto que rotaciona tende a achatar. Pela velocidade de rotação do Sol, presumíamos que ele fosse muito mais achatado. No entanto, sempre foi difícil dimensionar seu real formato. Agora, graças aos dados do Observatório de Dinâmica Solar, conseguimos descobrir que ele é mais redondo do que a gente pensava. Na verdade, o Sol é o objeto mais redondo que o homem já mediu.

Quais podem ser as influências dessa descoberta? Ela nos ajuda a entender melhor a estrutura do Sol e sua dinâmica com os planetas. Por exemplo: o campo gravitacional do Sol é modificado por seu achatamento. E é esse campo que é responsável pela órbita dos planetas. Agora que sabemos que a geometria do campo gravitacional do Sol é diferente, podemos entender melhor deformações nas órbitas, como as que acontecem com Mercúrio.

A pesquisa foi feita por pesquisadores da Universidade do Havaí, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), no Paraná. Até agora, os astrônomos presumiam que o formato do Sol mudava de acordo com seu ciclo de manchas solares. Mas, ao usarem os dados do observatório capturados durante dois anos, eles viram que essa variação era praticamente imperceptível. “Nesse período, o Sol evoluiu do valor mínimo de atividade de manchas solares para o máximo, o que deveria causar as maiores mudanças em seu formato”, disse Marcelo Emílio, pesquisador da UEPG e um dos autores do estudo. No entanto, o Sol permaneceu extremamente estável e quase não foi afetado pelo ciclo.

Como o Sol gira em torno de si mesmo, os cientistas também presumiam que ele teria um formato mais achatado: o diâmetro dos ‘polos’ seria menor do que o do ‘equador’. No entanto, a partir da análise das imagens, eles descobriram que o astro é muito mais redondo do que o previsto. Na verdade, ele é tão redondo que, se redimensionado para o tamanho de uma bola de futebol, a diferença entre os diâmetros mais largo e mais estreito seria muito menor do que a largura de um fio de cabelo.

Os resultados sugerem que outras forças além da rotação e do ciclo de manchas solares podem ter influência em seu formato.

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