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Satélite chinês desgovernado deve cair na Terra em março ou abril

A agência espacial do país admitiu ter perdido o controle da nave; apesar de não se saber local exato da queda, chance de que ele atinja pessoas é pequena

O satélite chinês Tiangong-1 deve cair na Terra entre 29 março e 9 de abril de 2018, segundo estimativas da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês). O Centro Nacional de Administração Espacial da China admitiu ter perdido o controle da espaçonave em março de 2016. Desde então, especialistas constataram que o objeto está perdendo altitude e deve atingir algum ponto do nosso planeta entre 43º Norte e 43º Sul. A chance de acertar uma pessoa, no entanto, é muito pequena, asseguram os pesquisadores.

Os locais mais prováveis para a queda são o centro da Itália, o norte da Espanha, uma parte da China ou do Oriente Médio, o norte dos Estados Unidos, a Nova Zelândia, a Tasmânia e o sul da América do Sul (Argentina e Chile). Todas as áreas acima ou abaixo dessa latitude estão descartadas, afirma a ESA, pois não fazem parte da rota da nave – ainda assim, os territórios entre esses limites (incluindo o Brasil) correm um pequeno risco.

É preciso esclarecer, no entanto, que três quartos do território do planeta é coberto por água – então, os cientistas acreditam que há uma enorme chance de os destroços do satélite caírem no mar, sem oferecer risco para as pessoas. A órbita do nosso planeta está coberta por grande quantidade de lixo espacial (restos de satélites antigos, peças soltas ou naves desativadas), que, eventualmente, entra na atmosfera e cai em algum ponto da Terra, raramente perto de áreas habitadas. O módulo chinês só está sendo acompanhado por astrônomos porque é um pouco maior do que a média.

Mapa divulgado pela Agência Espacial Europeia que mostra, em verde, as áreas que fazem parte da rota do satélite Tiangong-1

Mapa divulgado pela Agência Espacial Europeia que mostra, em verde, as áreas que fazem parte da rota do satélite Tiangong-1 (European Space Agency/Divulgação)

“É improvável que detritos da reentrada [do satélite Tiangong-1] atinjam qualquer pessoa ou danifiquem propriedades”, afirma o tecnologista Ademir Xavier, da Agência Espacial Brasileira, em comunicado. “O único caso conhecido em toda história da exploração espacial é de uma pessoa em Oklahoma, Estados Unidos, que foi atingida em 1996 sem qualquer ferimento ou danos.”

A Aerospace Corporation, instituto americano que fiscaliza atividades espaciais, afirma que “a probabilidade de uma pessoa aleatória (como, por exemplo, você) ser atingida pelos destroços da Tiangong-1 é um milhão de vezes menor do que a de ganhar no Powerball [um jogo de loteria típico dos EUA]”.

Materiais tóxicos

Ainda assim, os especialistas alertam que é possível que existam materiais tóxicos ou corrosivos a bordo da nave e que eles podem se manter ativos após a queda. “Jamais toque ou se aproxime de qualquer objeto ou detrito espacial que tenha caído em sua proximidade. Por segurança, evite aproximar-se ou inalar qualquer vapor que dele se desprenda”, orienta a Agência Espacial Brasileira.

Para os especialistas, é muito difícil precisar a data e o local da queda do objeto, uma vez que o centro espacial chinês perdeu completamente o contato com a nave. A margem de erro do dia em que os destroços devem entrar na atmosfera, por exemplo, beira 20%. Isso porque os especialistas enfrentam inúmeras incertezas, como o efeito do atrito atmosférico na trajetória atual do objeto, que não pode ser monitorado com antecedência.

Ainda não há informações suficientes, no entanto, para saber se o centro espacial chinês planeja controlar sua entrada na atmosfera de alguma forma.

O satélite

Taingong-1 foi alvo de diversas missões, com e sem tripulação, desde que foi lançado, em 2011. O módulo deveria ter sido derrubado de forma segura em 2013, mas continuou em operação até março de 2016. Foi quando a China admitiu ter perdido o controle da nave, acrescentando que não conseguiria controlar a sua reentrada na atmosfera. Atualmente, nenhum tripulante está a bordo da estação espacial.

O satélite, no entanto, não é o maior objeto espacial fabricado pelo homem que já caiu na Terra. Esse título ainda é ocupado pela Estação Espacial MIR, da agência espacial russa, que tinha massa de 120.000 quilos e caiu no Pacífico Sul, em março de 2001. Em comparação, a Tiangong-1 tem apenas 8.500 quilos.

Especialistas afirmam, ainda, que será possível observar a reentrada do satélite na atmosfera, mesmo de dia, se o clima estiver favorável. Várias linhas brilhantes devem aparecer cruzando o céu em uma mesma direção. “Como o objeto é grande, serão vistos vários riscos juntos na reentrada, sendo que alguns deles poderão atingir o solo”, afirma a Agência Espacial Brasileira.

O portal SATVIEW, desenvolvido pelo Brasil em parceria com Portugal e os Estados Unidos, permite acompanhar a localização do satélite em tempo real.

Comentários

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  1. Democrata Cristão (Liberdade de Expressão é meu direito CF 88 art 5 e art 220)

    China ganha dinheiro vendendo porc@ri@.

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  2. Não sei o que tem a ver a China ganhar dinheiro vendendo porcaria com o teor desta reportagem.
    Eu odeio produtos chineses, mas duvido que o mais ferrenho crítico de produtos chineses não tenha nada da China em sua casa. Se tiver um televisor, um carro, uma peça de vestuário ou até um pregador de roupas, pode estar certo que produtos chineses fizeram parte da sua fabricação.

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  3. Democrata Cristão (Liberdade de Expressão é meu direito CF 88 art 5 e art 220)

    Tenho vários produtos chineses, e são uma porc@aria, e tenho produtos Made in Japan, são um sonho de consumo. Para sua informação, quando trabalhadores chineses querem porcaria compram do seu próprio país e quando querem produtos de 1ª linha viajam para o Japão.

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  4. Para a sua informação, eu concordei sobre a baixa qualidade de produtos chineses. Apenas achei o comentário deslocado e inoportuno.
    Além disso, acho que conheço a China melhor do que você, pois lá raramente alguém tem acesso a produtos japoneses, aliás, estes também na sua grande maioria fabricados na China, ou com partes chinesas.

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