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Rússia investigará queda de sonda no Pacífico

Sonda Phobos-Grunt, que deveria chegar a Marte, ficou mais de dois meses vagando sem rumo pela atmosfera terrestre até cair no mar no último domingo

O vice-primeiro-ministro russo, Dimitri Rogozin, anunciou nesta segunda-feira pelo Twitter que irá dirigir pessoalmente a investigação sobre o fracasso da sonda Phobos-Grunt. Fragmentos do satélite caíram no Oceano Pacífico, a 1.250 quilômetros da ilha chilena de Wellington. “Espero da Roskosmos (agência espacial russa) o relatório prometido sobre as causas do acidente, os nomes dos responsáveis, assim como as perspectivas de desenvolvimento do setor espacial até 2030”, afirmou.

Trapalhadas russas

Programa espacial sofre com série de fracassos

5 de dezembro de 2010

Três satélites russos do sistema GLONASS, concorrente russo do americano GPS, caíram no pacífico em um lançamento fracassado.

29 de dezembro de 2010

Insatisfeito com o rendimento da agência, o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, demitiu dois altos funcionários da Roscosmos. O puxão de orelha não foi suficiente para segurar o presidente da Roscosmos, Anatoly Perminov, substituído em abril de 2011 por Vladmir Popovkin.

18 de agosto de 2011

O satélite de comunicação Express-AM4, que seria responsável por serviços de internet e televisão digital para a Rússia e mais 11 países, entrou na órbita errada. Os engenheiros russos perderam contato com a sonda.

24 de agosto de 2011

A nave de carga Progress-M-12M, que levava mantimentos até a Estação Espacial Internacional (ISS), caiu na Sibéria logo após seu lançamento.

23 de dezembro de 2011

O Meridian, satélite russo de comunicações militares e civis, caiu na Sibéria devido a uma falha no lançamento do foguete Soyuz.

A Phobos-Grunt foi lançada em 9 de novembro, de uma base no Cazaquistão, e deveria rumar até Phobos, uma das duas luas de Marte, para coletar amostras. O foguete que levava a sonda, porém, só conseguiu chegar até a órbita terrestre. O objeto, então, ficou vagando em volta do planeta com 11 toneladas de combustível nos tanques, além de material radioativo e altamente tóxico. Para as autoridades russas, esses produtos devem ter queimado com o atrito da sonda com a atmosfera durante a queda e não apresentam riscos.

Rogozin anunciou uma reunião no próximo dia 31 de janeiro para tratar da investigação. Uma autoridade do setor espacial russo, que pediu o anonimato, afirmou, que o país terá dificuldades para estabelecer as causas deste fracasso. “Estou certo de que as conclusões da comissão de investigação estarão baseadas em suposições, e não em fatos reais”, declarou a fonte, citada pela agência Interfax.

No domingo, antes da queda da sonda, uma fonte do setor espacial russo previu que os fragmentos cairiam “120 km a oeste da cidade argentina de Rosário”, situada no centro do país. Mas os cálculos de um funcionário do Ministério russo da Defesa apontaram que os fragmentos da sonda teriam caído no Oceano Pacífico, 1.250 quilômetros a oeste da ilha de Wellington.

Um porta-voz da agência espacial Roskosmos declarou, no entanto, que “não dispõe de informação oficial”.

(Com informações da agência AFP)