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Robô Philae retoma contato após 15 dias em silêncio

O módulo de pouso enviou informações durante 20 minutos quase ininterruptos sobre suas atividades no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko

Por Da Redação Atualizado em 6 Maio 2016, 16h03 - Publicado em 10 jul 2015, 15h41

O robô europeu Philae, que fez um pouso histórico no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko em novembro do ano passado, conseguiu se comunicar na quinta-feira (9) por 20 minutos quase ininterruptos com a sonda Rosetta, depois de passar 15 dias sem dar sinal, anunciou o Centre National d’Études Spatiales (CNES), a agência espacial francesa.

Philae, que acordou em 13 de junho após sete meses de hibernação, conseguiu se comunicar no mesmo dia durante dois minutos com a Terra por meio da sonda, e transmitiu novos dados. A última comunicação do módulo foi em 24 de junho, o que estava preocupando a Agência Espacial Europeia (ESA), que via o risco de haver problemas com a missão.

“É uma notícia muito promissora para a continuação da missão de Philae, já que o cometa 67P/Churymov-Guerasimenko chegará a seu periélio (o ponto mais próximo do Sol) na madrugada de 12 para 13 de agosto”, afirmou o CNES em seu comunicado. É nesse período que os cientistas esperam coletar as mais ricas informações sobre o cometa.

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Para melhorar a comunicação com o robô, a equipe responsável pela missão Rosetta decidiu mudar o plano de voo da sonda. O robô continuará a trabalhar durante toda a “noite” pois conta com reservas de energia na bateria. Nos últimos tempos, Philae só operava durante o período de claridade graças aos seus painéis solares, mas as baixas temperaturas impediam que a bateria fosse recarregada. Philae permaneceu em uma área sombreada por vários meses, o que impediu que suas baterias fossem recarregadas.

Missão Rosetta – Em novembro do ano passado, a sonda Rosetta liberou o robô Philae no primeiro pouso da história em um cometa, o 67P/Churymov-Guerasimenko. Durante 64 horas, o módulo estudou o cometa e enviou dados à Terra mas, por falta de luz para recarregar suas baterias, entrou em hibernação. Em junho, a sonda deu sinais de nova atividade e a equipe internacional responsável pela missão decidiu estender a missão de Rosetta, que estava prevista para terminar em dezembro deste ano, até setembro de 2016. O objetivo é recolher mais dados e ampliar as análises sobre o 67P.

Os cometas são importantes objetos de estudo por serem considerados “restos” da formação do Sistema Solar, que continuam vagando pelo Universo. De acordo com algumas teorias, podem ter sido os responsáveis por trazer a água, ou até mesmo a vida, à Terra.

Uma das principais razões pelas quais a sonda Rosetta foi enviada em uma cinematográfica missão ao cometa era verificar se a água desse corpo celeste era a mesma da Terra. Um resultado positivo reforçaria a teoria de que a água foi trazida até aqui pelos cometas. A teoria, no entanto, perdeu força no início de dezembro, quando um estudo publicado na revista Science mostrou que a água do 67P é diferente da existente no planeta azul.

Isso só foi possível porque Philae conseguiu estudar o cometa e coletou informações importantes, que se transformaram em uma série de estudos publicados em janeiro e abril deste ano. Na última semana, análises de uma dupla de cientistas britânicos sugeriram que pode haver algum tipo de vida sobre o cometa, teoria ainda discutida pela comunidade científica.

Com o prolongamento da missão, os pesquisadores esperam que se possa trazer ainda mais informações sobre os cometas e, em efeito contínuo, das origens do Universo.

(Da redação)

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