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Risos de alegria, zombaria ou cócegas afetam o cérebro de modos diferentes

Imagens de ressonância magnética mostram a ativação de diversas áreas cerebrais após o indivíduo escutar diferentes tipos de risadas

Os pesquisadores sabem há bastante tempo que não existe um só tipo de risada. O ser humano é capaz de emitir vários tipos de risos, cada um com uma sonoridade e uma mensagem diferente. Ele pode, por exemplo, rir porque está alegre, porque está zombando de outro indivíduo ou simplesmente porque está recebendo cócegas. Uma pesquisa publicada nesta quarta-feira na revista PLOS ONE mostra que ouvir cada um desses tipos de risada ativa conexões cerebrais diferentes, mostrando que elas são processadas e compreendidas de maneiras distintas.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Different Types of Laughter Modulate Connectivity within Distinct Parts of the Laughter Perception Network

Onde foi divulgada: periódico PLOS ONE

Quem fez: Dirk Wildgruber, Diana P. Szameitat, Thomas Ethofer, Kai Alter, Wolfgang Grodd, Benjamin Kreifelts

Instituição: Universidade de Tubinga, na Alemanha

Dados de amostragem: 18 participantes, que tiveram de escutar gravações de três tipos de risadas: causadas por alegria, zombaria ou cócegas

Resultado: Usando imagens de ressonância magnética, os pesquisadores descobriram que áreas cerebrais responsáveis por processar informações sociais complexas foram ativadas durante a audição das risadas causadas por alegria ou zombaria. Já as risadas causadas pelas cócegas ativaram regiões responsáveis por processar informações sonoras, já que elas eram acusticamente mais complexas.

Segundo os pesquisadores, o tipo mais antigo de riso – anterior ao ser humano – é aquele emitido por meio de cócegas. Esse mecanismo de comunicação, compartilhado por um grande número de primatas, acontece mais como um reflexo do que de modo intencional e serve para valorizar as brincadeiras e estreitar os laços sociais. Nos humanos, esse comportamento teria evoluído para “a risada social”, que transmite mensagens de felicidade ou zombaria.

No estudo atual, os pesquisadores usaram imagens de ressonância magnética para estudar como o cérebro de dezoito voluntários reagiu após ouvir os três tipos de risada: de felicidade, provocação e cócegas. “Rir de alguém e rir com alguém leva a consequências sociais diferentes”, diz Dirk Wildgruber, professor da Universidade de Tubinga, na Alemanha. Segundo o pesquisador, é importante estudar os padrões de conexão cerebral ativados durante a percepção dos diferentes tipos de risada pois eles devem refletir a atuação de diferentes mecanismos mentais de atenção e processamento das informações.

Como resultado, os cientistas descobriram que os risos sociais – usados para transmitir felicidade ou zombaria – ativam regiões cerebrais responsáveis por processar informações sociais mais complexas, como o córtex frontal medial rostral anterior e o precuneus, que fica no lóbulo parietal superior. Já a risada provocada pelas cócegas ativam as regiões cerebrais associadas a um grau mais alto de análise acústica, como o giro médio frontal e o giro temporal superior direito. Segundo os cientistas isso acontece por causa da maior complexidade sonora desse tipo de risada.

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Desse modo, os pesquisadores mostraram que a evolução dos diferentes tipos de risadas também gerou padrões cerebrais distintos para interpretar o sinal enviado. Assim, as risadas sociais passaram a ser importantes mecanismos para transmitir mensagens – principalmente estados mentais – de modo não-vocal entre os indivíduos. Alguns estudos anteriores já haviam mostrado como a fala modifica os padrões cerebrais, mas essa é uma das primeiras vezes em que se examina como eles são alterados por outros tipos de comunicação.