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Rainbow Warrior III contra o desmatamento

Navio do Greenpeace faz sua primeira viagem ao Brasil como parte dos preparativos para a Rio+20. Construída para ser ecologicamente correto, a embarcação ficará aberta à visitação durante a conferência

Por Luís Bulcão Atualizado em 6 Maio 2016, 16h42 - Publicado em 22 mar 2012, 13h19

A bordo do Rainbow Warrior III, que atracou na manhã desta quinta-feira no porto de Manaus, o Greenpeace lançou um projeto para, com outras instituições sociais e ambientais, coletar 1,4 milhão de assinaturas pelo fim do desmatamento. O objetivo é levar ao Congresso uma proposta de lei de iniciativa popular, nos moldes do Ficha Limpa, para colocar a taxa de desmatamento no Brasil no único nível que a organizaçaõ considera aceitável: zero.

O diretor-executivo do Greenpeace, Kumi Naidoo, aproveitou para mandar um recado à presidente Dilma Rousseff: “Gostaria de apelar do fundo do meu coração para a presidente Dilma, que conheci antes de ser eleita, para que proteja a floresta. Isso é o que deve ser feito para a população brasileira, é o certo para os povos do hemisfério sul e também é o que deve ser feito para os povos de todo o planeta. Ela (a presidente) tem que escolher se vai continuar a permitir lucros de curto prazo para pouca gente ou se vai escolher tomar medidas de sustentabilidade que beneficiem o povo inteiro para as gerações futuras”, disse, fiel ao estilo da organização que preside.

Naidoo lembrou também o crescimento econômico recente do Brasil, que chegou à sexta posição no ranking dos maiores PIBs do mundo, ultrapassando o Reino Unido. “O Brasil não precisa destruir as suas florestas para continuar construir uma economia forte. Isso foi demonstrado nos últimos anos. O Brasil continua em segundo lugar na destruição, atrás apenas da Indonésia”, afirmou. Segundo ele, se o país fizer os investimentos necessários para preservar as florestas, terá mais vantagens competitivas no futuro.

A fala de Naidoo foi transmitida pela internet, diretamente da sala de conferências do Rainbow Warrior, o veleiro de casco verde com um arco-íris pintado na proa que saiu do estaleiro onde foi construído, em Berne, na Alemanha, em outubro do ano passado, já com uma história de mais de três décadas. O Rainbow Warrior III, que chega ao Brasil para a Rio+20, é a versão mais nova do lendário navio do Greenpeace.

Concebido para ser ecologicamente correto nos mínimos detalhes, o navio substitui a segunda versão da embarcação – aposentada após 22 anos de serviços à organização ambiental – e mantém a linhagem do primeiro Rainbow Warrior, adquirido pela Greenpeace em 1977 e afundado por agentes franceses enquanto realizava protestos contra testes nucleares no sul do Pacífico, em 1985. A explosão matou o fotógrafo português Fernando Pereira e deixou a embarcação no fundo do mar em Auckland, na Nova Zelândia, onde se tornou abrigo de espécies marinhas.

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O Rainbow Warrior do século 21 foi construído sob medida e financiado com as doações recebidas pela ONG. É mais rápido, mais eficiente, mais confortável e ambientalmente menos nocivo. Dotado de botes, um helicóptero e uma sala de conferências conectada permanentemente via satélite, está pronto, segundo os ativistas, para perseguir pesqueiros irregulares, atrapalhar petroleiros, fazer campanhas barulhentas e, a seu modo, tentar salvar o mundo.

É a primeira vez que o novo Rainbow Warrior III cruza o Atlântico para visitar o Brasil. Mas a versão anterior do barco – que foi doado para a ONG Friendship, de Bangladesh – esteve no país há 20 anos para a inauguração do Greenpeace Brasil e para participar da Eco 92. Desta vez, o Rainbow Warrior III chega para lançar a campanha Desmatamento Zero, na Amazônia, e depois se prepara para passar pela costa norte e nordeste do país a caminho do Rio de Janeiro. Durante a Rio+20, que ocorre entre os dias 20 e 22 de junho, o Rainbow Warrior III ficará aberto para a visitação.

Construção _ O casco do novo Rainbow Warrior foi construído em Gdanski, na Polônia, e a infraestrutura interna foi instalada na Alemanha. Os mastros de 54 metros de altura suportam 1.290 metros quadrados de vela, que dispensam o uso do motor na maior parte do tempo. Se as condições climáticas forem desfavoráveis, ou o barco estiver em operação de perseguição durante as ações do Greeenpeace, o motor a diesel-elétrico é acionado. Além do Rainbow Warrior III, o Greenpeace possui mais duas embarcações, os navios Esperanza e Arctic Sunrise.

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