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Produção científica acelera, mas inovação patina no Brasil

Entre 2002 e 2007, número de publicações científicas saltou 110%, mas registro de patentes recuou 7%, segundo relatório divulgado pela Unesco

Por Marco Túlio Pires Atualizado em 6 Maio 2016, 17h12 - Publicado em 14 nov 2010, 15h31

A participação do Brasil no mercado mundial de patentes não passa de 0,1%

O Brasil é um dos países que menos registram patentes, embora já invista em ciência valores próximos aos de economias desenvolvidas como Espanha e Itália. Os dados são do Relatório Mundial de Ciência 2010, publicado pela Unesco, que analisou o desempenho global entre 2002 e 2008. O motivo, de acordo com o relatório, é que a ciência no Brasil ainda depende muito do dinheiro público, e os pesquisadores estão, em sua maioria, nas universidades. O cenário é bem diferente das nações desenvolvidas, como os EUA e a maioria dos países da União Europeia, em que empresas têm muito mais peso no financiamento da ciência.

De acordo com o relatório, o setor privado brasileiro é responsável por 45% de todo o financiamento em pesquisa e desenvolvimento científico. Nos Estados Unidos, as empresas são responsáveis por 76%, e a média na União Europeia é de 65%. O problema apontado pelo relatório é que o formato brasileiro desestimula o registro de patentes, um dos principais indicadores de inovação científica. Na análise feita pela Unesco, a corrida pelas patentes aumenta a competitividade industrial e projeta os países para o cenário internacional. Mesmo sendo o 13º na produção científica mundial, a participação do Brasil no mercado mundial de patentes não passa de 0,1%. Pior: o total de registros recuou 7% entre 2002 e 2007, de 134 para 124.

Produção avança – O Brasil conseguiu aumentar em mais de 50.000 o número de pesquisadores: de 72.000 em 2002 para 125.000 em 2007. No mesmo período, o país também conseguiu um crescimento de 110% no número de publicações, saindo de 12.573 para 26.482. No entanto, o valor investido por pesquisador caiu 11%, de 181 mil dólares para 162 mil dólares (em poder de paridade de compra). A área que mais publica artigos no Brasil é a de medicina clínica, com 8.799 publicações em 2008, quase um terço do total. Matemática é a carreira mais carente de artigos – apesar de quase ter dobrado o número de publicações entre 2002 (398 artigos) e 2008 (708 artigos).

Promessa não cumprida – Os recursos que poderiam azeitar e estimular a participação de empresas brasileiras na inovação científica mundial ficaram no papel. E não foi por falta de recurso. Entre 2002 e 2008, o PIB brasileiro cresceu 27%, enquanto o total gasto com pesquisa e desenvolvimento científico aumentou apenas 10%. O relatório lembra que o presidente Lula prometeu em 2003, quando presidiu a primeira reunião do Conselho de Ciência e Tecnologia, destinar 2,0% do PIB para pesquisas e desenvolvimento científico ciência até o fim de seu primeiro mandato. Em 2007, quando iniciou seu segundo mandato, esse valor era de 1,07%. Naquele ano, a meta foi reduzida de 2% para 1,5% até o fim de 2010. Apesar de estar acima da média da América Latina, esta meta ainda é inferior à média (2,28%) dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da União Europeia (1,77%).

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