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Prefeitos anunciam meta de reduzir emissão de carbono em um bilhão de toneladas até 2030

Grupo C-40, composto por 59 grandes cidades, firma compromisso para adotar medidas locais de redução de emissões

Por Cecília Ritto - Atualizado em 9 maio 2016, 14h48 - Publicado em 19 jun 2012, 12h09

“Somos responsáveis pela maior parte da população da terra. Muito está sendo dito e pouco sendo feito. Temos ferramentas pragmáticas para atuar no sentido de acelerar o ritmo de implementação dessas medidas”, afirmou Bloomberg, em uma alfinetada à reunião dos chefes de estado no Riocentro

Se no Riocentro o documento final da Rio+20 recebe críticas pela falta de metas rígidas, prefeitos ou outras autoridades do Climate Leadership Group, conhecido como C-40, reuniram-se em evento paralelo à conferência com um objetivo claro e uma meta precisa – e ousada. A promessa é de reduzir, até 2030, as emissões em 1 bilhão de toneladas de gases-estufa. Em 2010, foram lançados na atmosfera 1,7 bilhão de toneladas pelas 59 cidades que compõem o grupo. A proposta foi anunciada pelo prefeito de Nova York e também presidente do C-40, Michael Bloomberg. Nesta terça-feira, os chefes das cidades que, juntas, respondem por 21% do PIB mundial e somam 544 milhões de habitantes, entraram no acordo para uma diminuição concreta dos poluidores. Estiveram presentes no forte 33 autoridades locais. No Brasil, fazem parte do grupo Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba.

As metrópoles do C-40 recorrerão a formas diferentes, adequadas às suas realidades, para alcançar o objetivo de reduzir a emissão. “Precisamos continuar o progresso mesmo em tempos difíceis. Temos futuro brilhante e temos o poder de realizar”, afirmou Bloomberg. “Cidades do C-40 têm imenso potencial de reduzir emissões de carbono. Ate 2030 essa redução pode ser equivalente à emissão de todo um ano de México e Canadá combinados”, comparou.

O ex-presidente dos EUA Bill Clinton participou via satélite. “O mais importante que posso dizer nesta manhã é que há mais evidência hoje do que nunca de que o desenvolvimento sustentável é o único q faz sentido. Utilizamos progresso da cidade para obter eficiência energética. Los Angeles trabalha com o maior projeto de retroalimentação, substituindo lâmpadas comuns por lâmpadas de led, economizando 10 milhões de dólares por ano”, afirmou Clinton.

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“Somos responsáveis pela maior parte da população da terra. Muito está sendo dito e pouco sendo feito. Temos ferramentas pragmáticas para atuar no sentido de acelerar o ritmo de implementação dessas medidas”, afirmou Bloomberg, em uma alfinetada à reunião dos chefes de estado no Riocentro.

O prefeito anfitrião, Eduardo Paes, do Rio de Janeiro, propôs a criação de metas parciais até 2030 como forma de vigiar se as cidades estão caminhando no rumo correto. A primeira data seria o ano de 2016, justamente quando o Rio recebe os Jogos Olímpicos. Um dos pontos defendidos pela cidade é a diminuição, para todos os integrantes do C-40, de 12% dos gases-estufa em quatro anos. Para o Rio, Paes alega que o objetivo pode ser alcançado sem maiores dificuldades com o fechamento de Gramacho – que reduziu as emissões em 8% – e pela instalação dos BRTS, os corredores exclusivos para ônibus articulados programados para estarem em funcionamento durante as Olimpíadas.

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Acompanhe os trabalhos dos prefeitos do C-40:

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Paes soube juntar dois cenários para fazer uma defesa de sua proposta: a lentidão e a burocracia oficial da conferência e a pressão sobre as cidades brasileiras, que sofrem com as chuvas. “Toda vez que emitimos gases de efeito estufa, estamos aquecendo a camada de ozônio, aumentando as temperaturas e o nível dos oceanos. No final do dia, são os prefeitos que sentem na pele. Cidades como o Rio e São Paulo têm chuvas cada vez mais intensas e problemáticas. Seria muito confortável esperar que chefes de estado fizessem tudo. Os prefeitos podem ir tomando atitudes independentemente dos grandes acordos”, pregou.

“Com os instrumentos de que dispomos, não é justo que aguardemos a tomada de decisões dos chefes de estado. A mensagem que os prefeitos querem passar é se que decisões e ações estão sendo tomadas e outra série de ações pode ser feita. Sair do discurso para a ação é objetivo do prefeito”, disse Paes.

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Paes e Bloomberg traçaram como meta para o C-40 a redução de 400 milhões de toneladas de gases poluentes. Até 2030, a expectativa é de que se deixe de lançar o equivalente ao total de gases-estufa produzido pelo Brasil e México pelos próximos 18 anos. Participaram do evento de abertura do C-40 os prefeitos Michael R. Bloomberg , de Nova York, Eduardo Paes, do Rio, Gilberto Kassab, de São Paulo, Mauricio Macri, de Buenos Aires, Eckart Wuerzner, de Heidelberg (Alemanha), Mpho Franklyn Tau, de Joanesburgo, Babatunde Fashola, de Lagos (Nigéria) e Won Soon Park, de Seul.

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