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Por que as mulheres vivem mais?

Novo estudo sugere que a resposta esteja ligada à uma proteção que um cromossomo X oferece

Por Sabrina Brito - 6 mar 2020, 15h54

Grande parte das especies do reino animal dividem uma tendência curiosa: as fêmeas tendem a viver mais do que os machos. O motivo por trás dessa diferença de longevidade, no entanto, permanece um mistério. Mas pesquisadoras da Universidade de Nova Gales do Sul, da Austrália, parecem ter dado um passo adiante para esclarecer o enigma.

De acordo com um novo estudo publicado por elas no periódico científico Biology Letters no último dia 4, a existência de dois cromossomos sexuais do mesmo tipo, presente nas fêmeas (as mulheres, por exemplo, possuem dois cromossomos X, enquanto homens têm um X e um Y), pode estar relacionada a uma vida mais longa.

Conforme afirmam na pesquisa, a segunda cópia do cromossomo sexual tem um efeito de proteção do DNA, o que resultaria à maior longevidade. A ideia é de que o cromossomo Y seria pouco capaz de proteger um indivíduo de genes danosos presentes no X.

Assim, um cromossomo X que carrega genes defeituosos teria mais chances de ser anulado por outro X do que por um Y. Com menos genes ruins, o indivíduo teria melhores chances de viver por mais tempo.

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O estudo baseia-se na análise cromossômica de 229 espécies de animais, envolvendo desde insetos a mamíferos. Os únicos animais excluídos da investigação foram aqueles cujo sexo é influenciado por condições ambientais externas, como as tartarugas-verdes.

Segundo as cientistas, os indivíduos que possuem dois cromossomos sexuais iguais vivem em média 17,6% mais tempo do que aqueles que apresentam cromossomos diferentes ou apenas um cromossomo sexual. É o caso de alguns pássaros, nos quais os machos apresentam dois cromossomos W, enquanto suas contrapartes costumam ter um W  e um Z.

Além disso, em espécies nas quais os machos têm dois cromossomos sexuais iguais (e não as fêmeas), eles tendem a viver 7,1% a mais. Essas constatações apontam para o fato de que é a presença de dois cromossomos sexuais iguais que culminaria em uma vida mais longa.

Contudo, vale lembrar que as hipóteses que explicam essa diferença de longevidade entre os sexos são diversas. Assim, apesar de representar um grande avanço, o novo estudo australiano não oferece uma resposta definitiva à questão.

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