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Poluição humana chegou ao topo do Himalaia antes de pessoas

Estudo revela que traços da atividade industrial contaminavam a cadeia de montanhas no século XVIII; primeiro homem escalou o Everest só no XX

Por Sabrina Brito - 12 fev 2020, 16h41

Um novo estudo acaba de obter provas de que a poluição causada pela humanidade pode atingir o mais incólume dos lugares — e ainda mais rápido do que o homem chega nesses locais. De acordo com a pesquisa, publicada no último dia 10 no periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences, resquícios da queima de carvão na Europa do fim do século XVIII (época da Revolução Industrial) atingiram o remoto Himalaia, a mais de 10 mil quilômetros de Londres.

Os pesquisadores, de diversas nacionalidades e liderados pela Universidade Estadual de Ohio (EUA), registraram traços de metais na geleira de Dasuopu, a 7 quilômetros acima do nível do mar. Dasuopo, localizada no Tibete, fica em uma das 14 montanhas mais altas do mundo.

O gelo analisado foi retirado da geleira em 1997 e analisado em laboratório. Como uma camada de gelo se forma em cima das anteriores, os pesquisadores conseguem determinar não só a composição de uma dessas estruturas, mas o ano em que ela se formou.

Como resultado, descobriu-se que as camadas de gelo haviam aprisionado níveis acima do normal de metais tóxicos, como cádmio, níquel e zinco, ao redor do ano de 1780. Foi nessa época que a Revolução Industrial começou no Reino Unido.

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Assim, a poluição provocada pelo homem nesse período teria chegado ao Himalaia bem antes das primeiras expedições que objetivavam alcançar os picos de suas montanhas mais altas, que tiveram início apenas na década de 1920.

Esses metais teriam sido transportados pelo vento, que viaja do oeste para leste, indo, neste caso, da Europa para a Ásia. A emissão desses compostos seriam resultado da queimada de florestas, de acordo com o artigo.

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