Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Pnuma: desafio da Rio+20 é reformular a economia para gerir melhor o planeta

A cúpula sobre desenvolvimento sustentável das Nações Unidas Rio+20 deverá se concentrar em reformular a economia mundial para “gerir melhor o planeta”, afirmou em entrevista à AFP o chefe do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, durante a Conferência sobre Mudanças Climáticas em Durban, África do Sul.

“O Rio ajudará o mundo a olhar para as mudanças climáticas em um contexto mais amplo de transformações que precisamos na nossa economia global”, disse Steiner.

“Estamos caminhando para um mundo de nove bilhões de pessoas que enfrentará fome e insegurança climática, choque econômico, desemprego”, afirmou.

A cúpula Rio+20, que será celebrada no Rio de Janeiro entre 20 e 22 de junho do ano que vem, acontecerá vinte anos depois da Cúpula da Terra, em 1992, conferência que deu origem às convenções da ONU para proteger a biodiversidade e enfrentar o aquecimento global.

Steiner pediu aos líderes que reconsiderem a forma como definem o crescimento econômico porque, afirmou, a dinâmica atual está levando o planeta a uma situação limite.

“Precisamos de um novo indicador de riqueza. O crescimento do PIB é muito bruto, sujeito a interpretações. Foi útil enquanto o mundo tinha muitos recursos. Mas o mundo chegou ao ponto em que tem que otimizar como administra o planeta”, disse o chefe do Pnuma.

Uma forma de ver o problema é esta: começando na década de 1970, a humanidade pediu mais do que o planeta podia fornecer. Os sete bilhões de habitantes da Terra usam mais água, derrubam mais florestas e comem mais peixe do que a natureza pode prover.

Ao mesmo tempo, estamos emitindo mais dióxido de carbono (CO2), liberando mais contaminantes e fertilizantes químicos do que a atmosfera, o solo e os oceanos podem absorver sem afetar os ecossistemas dos quais dependemos.

“A Rio+20 tem a ver com o futuro das nossas economias, respondendo a esta pergunta: quão sustentáveis serão nossas sociedades se não abordarmos estas questões com mais clareza?”, questionou.