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Pesquisadores identificam mecanismo capaz de melhorar aprendizado

Estudo mostrou que é possível aumentar 'eficiência' da comunicação entre os neurônios por meio de substâncias farmacológicas

Pesquisadores do Centro de Biologia Molecular Severo Ochoa, na Espanha, identificaram um mecanismo molecular que pode melhorar a capacidade de aprender e reter informações. O estudo, publicado na revista PLoS Biology, obteve sucesso ao testar a técnica em ratos de laboratório.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Facilitation of AMPA Receptor Synaptic Delivery as a Molecular Mechanism for Cognitive Enhancement

Onde foi divulgada: revista PLoS Biology

Quem fez: Shira Knafo, César Venero, Cristina Sánchez-Puelles, Inmaculada Pereda-Peréz, Ana Franco, Carmen Sandi, Luz M. Suárez, José M. Solís, Lidia Alonso-Nanclares, Eduardo D. Martín, Paula Merino-Serrais, Erika Borcel, Shizhong Li, Yongshuo Chen, Juncal Gonzalez-Soriano, Vladimir Berezin, Elisabeth Bock, Javier DeFelipe e José A. Esteban

Instituição: Centro de Biologia Molecular Severo Ochoa, Espanha

Resultado: Mecanismos de plasticidade sináptica podem ser manipulados farmacologicamente com o intuito de reforçar a capacidade de aprendizagem

Os neurônios, no cérebro humano, se comunicam entre si por meio das sinapses, uma complexa troca de informações que envolve processos químicos e elétricos. Essas conexões são dinâmicas e estão em constante mudança – fenômeno conhecido como plasticidade sináptica, considerado essencial para a aprendizagem e a memória do ser humano.

A pesquisa mostrou novos dados sobre os mecanismos moleculares que envolvem todo esse processo e como este pode ser manipulado para melhorar o desempenho cognitivo. Os cientistas demonstraram que as sinapses podem ser feitas de forma mais plástica, usando um pequeno fragmento de uma proteína, chamada peptídeo, envolvida na comunicação celular. Ela é capaz de induzir a inserção de novos receptores de neurotransmissores nas sinapses do hipocampo, região do cérebro relacionada à aprendizagem e à memória.

Quando os pesquisadores administraram um peptídeo específico em ratos de laboratório, as capacidades de aprender e reter informações foram reforçadas nesses animais. “Estímulos do exterior podem fazer com que algumas sinapses se potencializem, enquanto outras se debilitam. É precisamente este código de altos e baixos que permite ao cérebro armazenar informação e formar memórias durante a aprendizagem”, diz José Esteban, um dos autores da pesquisa.

Assim, as novas descobertas mostram que os mecanismos de plasticidade sináptica podem ser manipulados farmacologicamente em animais adultos, a fim de reforçar sua capacidade cognitiva. O estudo é importante pois pode ajudar a ciência a compreender melhor os distúrbios cognitivos, como a doença de Alzheimer e outras formas de comprometimento mental.

(Com EFE)