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Pesquisadores encontram partes de elefante pré-histórico na Macedônia

O animal viveu tanto na atual Europa quanto na Ásia durante o Miocênico, que começou há 23 milhões de anos e terminou há 5 milhões de anos

Por Da Redação - Atualizado em 30 jul 2020, 20h21 - Publicado em 6 Maio 2018, 11h22

O Museu de História Natural da Macedônia, em Skopje, levou ao passado um grupo de paleontólogos que trabalha sem parar nas partes do que acredita-se ter sido um elefante pré-histórico de 8 milhões de anos atrás.

Avisados pelo dono de um vinhedo, paleontólogos macedônios e búlgaros conseguiram escavar partes fossilizadas de uma espécie extinta de elefante, um tipo de mastodonte do Miocênico anterior ao mamute-lanoso. Os ossos foram descobertos por um homem que trabalhava em Dolni Disan, na região central da Macedônia.

“Estava trabalhando na colheita de uvas na vinha no último outono e encontrei algo que parecia um osso grande e que estava enterrado profundamente. Me dei conta que era um osso muito antigo e informei ao museu. Vieram, fizeram uma pesquisa rápida cavando na terra e decidiram cobrir a área até abril”, explicou o fazendeiro Vaso Tashev.

Poucos dias depois de retornar e começar as escavações, eles encontraram o esqueleto de um elefante pré-histórico com presas grandes. Além disso, encontraram partes das patas. Um detalhe que engrandece ainda mais a descoberta, pois, segundo os cientistas, é muito raro ver diferentes tipos de ossos na mesma localidade. Os paleontólogos calculam que o animal devia pesar cerca de dez toneladas e ter 50 anos quando morreu.

Origem

O “Choerolophodon”, como era conhecido, viveu tanto na atual Europa quanto na Ásia durante o Miocênico, que começou há 23 milhões de anos e terminou há 5 milhões de anos.

Nesse período, em toda a Macedônia e no sudeste da Europa, existiam planícies com grama alta e o clima era úmido, parecido ao da savana africana.

Biljana Garevska, uma das paleontólogas que participou dos trabalhos, explicou à Agência Efe que, naquela época, na área onde agora fica a Macedônia havia uma vasta fauna pré-histórica. Primatas, antílopes, girafas, rinocerontes, mastodontes e muitas outras espécies moravam por ali.

“Era um animal muito grande e imponente. Provavelmente esta espécie foi extinta da nossa região depois que o planalto balcânico se elevou para o que agora vemos como o Mar Egeu, secando as terras úmidas. A falta de água significa que também não há comida, e esse é o fim dos mastodontes na nossa região”, relatou Garevska.

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Outra equipe já tinha encontrado um fóssil de mastodonte na Macedônia. “Já tínhamos encontrado outros fósseis deste tipo de animal, mas eram menores, só duas pequenas mandíbulas sem presas. A descoberta de agora é muito significativa para a ciência”, ressaltou.

Região

O terreno da ensolarada Macedônia de milhões de anos atrás era majoritariamente argiloso. Esta é a principal razão pela qual as partes fossilizadas em Dolni Disan tiveram a sorte de resistir durante tanto tempo.

“Normalmente, só encontramos fósseis em terreno argiloso. Às vezes a erosão ou os trabalhos agrícolas fazem emergir estes fósseis, fazendo com que se tornem acessíveis para a análise dos pesquisadores e nos mostrando pedaços de uma Terra que nunca conheceremos completamente”, esclareceu Makedon Petlicharov, restaurador aposentado do Museu de Ciências Naturais.

Já Nikolay Spasov, paleontólogo búlgaro, que integrou a equipe que realizou a escavação, afirmou que a região esconde bastantes jazidas pré-históricas de grande valor, não só de animais.

“Espero que aqui possamos encontrar também partes de humanos pré-históricos”, disse, de maneira otimista, ele, que é membro da Academia de Ciências da Bulgária a jornalistas locais.

Por sua vez, o ministro da Cultura da Macedônia, Robert Alagjozovski, disse quando visitou o local das escavações que esta é uma das descobertas mais espetaculares do Museu de História Natural.

“Essa descoberta no coloca no mapa paleontológico da Europa e do mundo”, comemorou.

No final do ano, as partes do elefante pré-histórico serão expostas no Museu de Ciências Naturais, junto a outros achados do mesmo período.

(Com EFE)

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