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Pesquisador americano recebe lâminas contaminadas com HIV por realizar pesquisa com animais

Grupo extremista assume responsabilidade pelo ato. FBI está investigando

Não é a primeira vez que pesquisadores da UCLA recebem ameaças de grupos que procuram impedir a pesquisa com animais. Em 2009, o carro de Jentsch foi incendiado na porta de sua casa

Um pesquisador da Universidade de Los Angeles (UCLA), nos Estados Unidos, que conduz experimentos com animais, recebeu um pacote com lâminas contaminadas com o vírus do HIV. De acordo com um porta-voz da universidade, o neurocientista David Jentsch recebeu o pacote no início de novembro.

Na terça-feira (23), a Frente de Libertação dos Animais (EUA), um grupo que defende o fim das pesquisas com animais, mas repudia a violência contra cientistas, divulgou uma nota em seu site afirmando que recebeu dois comunicados de um grupo extremista chamado Justice Department, assumindo responsabilidade pelo pacote contaminado enviado a Jentsch. Na nota, o grupo assume ter enviado outro pacote à Stephanie Groman, também pesquisadora da UCLA. No entanto, a instituição não confirmou o recebimento das lâminas enviadas à Stephanie. Ainda de acordo com a instituição, o FBI está investigando o caso.

Jentsch pesquisa o mecanismo biológico por trás de doenças mentais, como a esquizofrenia. Em trabalhos passados, grande parte financiada pelo governo americano, o cientista realizou testes com primatas injetando neles a droga conhecida como PCP; em seguida os animais eram sacrificados e seus cérebros examinados. De acordo com a UCLA, o trabalho do pesquisador proporcionou informações importantes sobre os processos bioquímicos que contribuem para o vício da droga PCP em adolescentes e dos processos que afetam a fala e o comportamento de pacientes com esquizofrenia.

Não é a primeira vez que pesquisadores da UCLA recebem ameaças de grupos que procuram impedir a pesquisa com animais. Em 2009, o carro de Jentsch foi incendiado na porta de sua residência. O ato foi assumido por extremistas. Por causa dessa e de outras atitudes semelhantes contra outros colegas de profissão, Jentsch criou um grupo que advoga a favor da pesquisa com animais.

“O uso responsável de animais em pesquisa no sentido de melhorar a saúde e o bem-estar de pacientes que sofrem doenças mentais é a coisa certa a se fazer”, disse Jentsch em entrevista ao jornal Los Angeles Times. “Vamos continuar com as pesquisas porque temos a responsabilidade moral de usar nossas habilidades para melhorar o mundo”, concluiu.