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Pesquisa indica que Terra é 70 milhões de anos mais jovem

Cientistas apontam que o planeta demorou mais tempo do que se imaginava para se formar

Por Da Redação Atualizado em 6 Maio 2016, 17h16 - Publicado em 12 jul 2010, 18h00

A nova investigação mostra que o processo de formação da Terra pode ter levado até 100 milhões de anos, três vezes mais tempo que se pensava anteriormente.

A Terra é 70 milhões de anos mais jovem do que se calculava, afirma um novo estudo geológico. Isso quer dizer, dizem os cientistas na revista Nature Geosciences, que demorou mais tempo do que se imaginava para o planeta se formar após o nascimento do sistema solar, há 4 457 bilhões de anos. Para confirmar a idade da Terra, a equipe de pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, compararam elementos químicos no manto terrestre com meteoritos da mesma idade do sistema solar. No passado, os cientistas haviam calculado que o desenvolvimento do nosso planeta, um processo conhecido como acreção – no qual gás, poeira e outros materiais se combinam para formar um planeta – ocorreu há mais de 30 milhões de anos. A nova investigação mostra que o processo pode ter levado até 100 milhões de anos, três vezes mais tempo que se pensava anteriormente. Ainda que os cientistas acreditem que a Terra provavelmente cresceu a 60% de seu tamanho atual relativamente rápido, o processo talvez tenha se retardado e demorado milhões de anos mais em alcançar seu desenvolvimento total. A acreção do planeta envolveu uma série de colisões entre pedaços enormes de sobras estelares, chamados embriões planetários. Para investigar a idade da Terra, os cientistas mediram os níveis de isótopos que se criaram durante as colisões, os quais podem oferecer uma espécie de “relógio geológico”. “As colisões geraram enormes níveis de calor que provocaram que o interior do planeta se derretesse, segregando metal fundido até o centro para formar o núcleo”, explicou John Rudge, que dirigiu a pesquisa. “Durante este processo, a Terra criou uma divisão entre seu núcleo de metal fundido e seu manto, a capa que a cobre”. Muitos cientistas creem que o processo de acreção acabou quando um corpo do tamanho de Marte se chocou contra a Terra, provocando o desprendimento de parte do planeta para formar a Lua. Os investigadores analisaram os níveis de dois isótopos, elementos químicos no manto da Terra chamados háfnio 182 e tungstênio 182. Durante vários milhões de anos, o háfnio se deteriorou para converter-se em tungstênio. Esse material se incorporou ao núcleo da Terra quando ele estava se formando. Isso deixou uma espécie de assinatura no manto, o que revelou quanto tempo demorou para o planeta torna-se diferente dos outros. Ao comparar a proporção de tungstênio 182 com a quantidade encontrada em meteoritos que se chocaram contra o planeta, os cientistas puderam deduzir quanto tempo levou a Terra para criar uma divisão entre seu núcleo e seu manto. Os pesquisadores compararam os resultados dessa técnica com um método similar que utiliza dois isótopos diferentes. E no lugar de assumir que um método era mais preciso do que o outro e que a Terra se formou a um ritmo constante, os cientistas criaram modelos de todas as formas diferentes na qual o processo pode ter ocorrido. Segundo Rudge, o ponto em que os dois métodos estavam de acordo é que a formação da Terra deve ter sido “muito rápida no início, com uma pausa e, mais tarde, uma acreção mais gradual”.

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