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ONU pede ação rápida para conter aquecimento global

Emissão de gases de efeito estufa deve cair até 70% até 2050 para aumentar chances de limitar aumento da temperatura em 2 graus Celsius

Um novo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado neste domingo, afirma que a emissão de gases do efeito estufa cresceu em níveis sem precedentes nos últimos anos. Ainda assim, segundo o texto, é possível limitar o aquecimento global em até 2 graus Celsius até 2100 – desde que a ação dos países seja rápida. A demora, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), pode fazer com que no futuro seja necessário extrair gases de efeito estufa do ar. O estudo foi formulado por 235 autores e 38 revisores de 57 países, além de 180 especialistas, que foram informações adicionais ao texto. Mais de 800 cientistas revisaram rascunhos e enviaram comentários.

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De acordo com o relatório, a substituição de combustíveis fósseis por alternativas mais limpas de energia, como a eólica, solar ou nuclear, teria impacto de apenas 0,06 ponto percentual por ano no crescimento econômico mundial. “Temos uma janela de oportunidade na próxima década e, no máximo, nas próximas duas décadas”, diz Ottmar Edenhofer, co-presidente da reunião em Berlim, na Alemanha.

A estimativa do IPCC é de que, para atingir a meta de aquecimento de até 2 graus Celsius, é necessário reduzir as emissões globais de gases do efeito estufa entre 40% e 70% em relação aos níveis registrados em 2010 até 2050. Depois, os níveis deveriam ficar próximos a zero até 2100. “Eu não estou dizendo que não há custos, que a política do clima é um almoço grátis, mas é um almoço que vale a pena comprar”, disse Edenhofer.

As conclusões divulgadas neste domingo compõem a terceira parte do quinto relatório lançado pelo IPCC, o último deles em 2007. A primeira parte da edição 2013 do relatório, divulgada em setembro do ano passado, reafirmou as evidências científicas do aquecimento global. O segundo relatório, publicado no final de março deste ano, mostrou que as chances de reverter o aquecimento global podem se esgotar, se novas medidas urgentes não forem adotadas em todo o mundo. Desde o relatório de 2007, cerca de 10 000 referências científicas foram incluídas em dezesseis capítulos.

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O relatório final será apresentado em outubro de 2014 deve guiar a redação de um acordo, que será proposto pela ONU em 2015, para que os países se comprometam a conter as emissões de gases de efeito estufa. O crescimento acelerado da indústria na China, em especial, contribuiu para os que os níveis de emissão global atingissem recordes nos últimos anos. Segundo a ONU, para reduzir as emissões, é preciso diminuir a produção e consumo de energia e de transportes, além de desacelerar a construção civil, o ritmo industrial e o desmatamento.

Caso as medidas propostas não sejam adotadas, a temperatura global poderá aumentar em 3,7 graus Celsius e 4,8 graus Celsius até 2100, algo catastrófico, segundo os cientistas. Isso poderia levar a mais ondas de calor, enchentes, secas e à elevação do nível do mar em diversas partes do mundo. “Uma mitigação ambiciosa pode até exigir a remoção de dióxido de carbono da atmosfera”, disse o IPCC. Atrasos em medidas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa até 2030 forçariam um uso muito maior dessas tecnologias.

(Com agências France-Presse e Reuters)