O segredo das borboletas para escapar de predadores durante o voo, segundo novo estudo
Desenhos nas asas dos insetos formam padrões visuais confusos durante o voo e impedem sua captura
Durante a caça, pássaros na tentativa de capturar uma borboleta podem, muitas vezes, errar a presa e acabar perdendo o alimento do dia, mesmo quando parece que não há escapatória para o inseto. De acordo com uma nova pesquisa da revista Nature, o fato comum na vida das borboletas não é por acaso. O movimento de bater suas asas — com desenhos de cores, formatos e tamanhos diferentes — forma padrões para outros animais que funcionam como ilusões, e servem como método secreto de driblar um predador.
O estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade de Exeter e da Universidade de Essex, e serviu para resolver uma dúvida que pairava sobre a entomologia, a biologia dos insetos: apesar das borboletas serem indivíduos voadores com padrões marcantes e chamativos em suas asas, poucos predadores são especializados em capturá-los enquanto voam.
O motivo está diretamente relacionado com os desenhos das suas asas e o bater delas durante o voo. Segundo os pesquisadores, as asas dos insetos funcionam de forma parecida a algumas ilusões visuais conhecidas, como o “poste de barbeiro”, cilindro vertical de cores azul, vermelho e branco que gira em seu próprio eixo, e é ainda muito comum em outros países. A ilusão desse cilindro faz com que as listras, mesmo que se movam sempre para o mesmo lado, pareçam ir para o lado contrário a depender de quem vê.
Como funciona
Durante o voo, os desenhos da asa de uma borboleta, aliados ao seu padrão diferente de movimento, interferem com os sistemas visuais dos predadores, que não conseguem pensar corretamente sobre a direção e velocidade da “coisa” em movimento, no caso, o inseto. A situação confusa faz com que toda (ou quase toda) tentativa de captura falhe.
De acordo com Jolyon Troscianko, um dos autores do estudo, as asas das borboletas se deformam durante o voo, e suas listras mudam de ângulo e apontam para diferentes direções toda vez que batem. “Combinado com seus caminhos de voo imprevisíveis, esse padrão cria ilusões de movimento similares às do poste de barbeiro, o que faz com que um predador perca a presa por completo ou ataque apenas uma parte pequena das asas”, explicou.
Como ocorreu a descoberta
Para analisar a hipótese de que as asas dos insetos poderiam influenciar na sua forma de escapar de predadores, a equipe colocou a ideia à prova. Com uma câmera especializada, eles filmaram o bater de asas de borboletas com até mil frames por segundo, uma das únicas formas de capturar o movimento dos insetos de forma similar ao que predadores como as aves veriam.
A partir dessas imagens, os especialistas procuraram pelos padrões de desenhos das asas de 400 espécies de borboletas europeias, e descobriram que a maior parte delas tinham padrões “ilusórios”. Após testes com computadores, eles identificaram que esses padrões se movimentam durante o voo exatamente como forma de confundir o predador durante o ataque. Para George Hancock, outro pesquisador do estudo, “parece estranho que as borboletas tivessem evoluído para serem tão chamativas, especialmente porque poucas espécies europeias são tóxicas ou não comestíveis”.





