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O que há de possível — e impossível — para a ciência em ‘Planeta dos Macacos: O Confronto’

No filme do diretor Matt Reeves, macacos liderados por um chimpanzé inteligente vivem em uma aldeia, falam e têm expressões faciais semelhantes às humanas. Especialistas ouvidos pelo site de VEJA afirmam que algumas habilidades e comportamentos retratados no cinema até são possíveis, mas a maioria não passa de ficção

Por Rita Loiola Atualizado em 9 Maio 2016, 14h46 - Publicado em 27 jul 2014, 07h52

Em uma das primeiras cenas de Planeta dos Macacos: O Confronto, lançado no Brasil na última quinta-feira, chimpanzés caçam com lanças, assustam-se e sentem medo. Liderados por César, um macaco inteligente, eles também são capazes de falar, viver em sociedades organizadas e enfrentar os homens. O filme, que se tornou o mais visto nos Estados Unidos desde sua estreia, há duas semanas, mistura ficção com alguns aspectos da realidade para contar a história da guerra que vai decidir qual espécie dominará o planeta: símios ou homens. Embora o filme não tenha a pretensão de ser fiel à ciência, o estudo da evolução indica que a ideia de que os primatas desenvolvam algumas das habilidades exibidas na tela não é tão inconcebível assim.

“Nossa espécie levou os últimos 50 000 anos para desenvolver os traços humanos modernos, como as emoções. No filme, os primatas tiveram um grande salto evolutivo em apenas uma década”, diz o biólogo Danilo Vicensotto Bernardo, professor de arqueologia e antropologia da Universidade Federal do Rio Grande (FURG).

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Gravidade: a ciência por trás do filme

O longa, sequência de Planeta dos Macacos: A Origem, de 2011, mostra César, dez anos depois de ter liderado a fuga dos macacos de São Francisco, nos Estados Unidos, vivendo com seu clã em uma floresta nos arredores da cidade. Ali, as várias espécies de primatas que foram cobaias em laboratórios humanos vivem em harmonia, caçam e moram em cabanas. A paz, no entanto, é perturbada por um grupo de pessoas que sobreviveram à gripe símia, que dizimou a humanidade. Em pouco tempo, começa uma guerra em que chimpanzés, gorilas e orangotangos empunham armas de fogo, andam a cavalo, falam e se comunicam por linguagem de sinais, entre muitas outras habilidades.

Bernardo explica que os homens se separaram dos chimpanzés há cerca de 7 milhões de anos e divide com eles cerca de 95% do genoma. “Esses 5%, entretanto, trazem sutilezas que fazem toda a diferença entre as duas espécies. Para falar, ter emoções ou montar sociedades organizadas é necessário desenvolver um sistema simbólico que apenas a nossa espécie foi capaz de criar”, afirma. “Além disso, há adaptações físicas que foram desenvolvidas por milhares de gerações de hominídeos para ser bípede ou falar.”​

Confira o que a evolução ainda pode reservar aos macacos.

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