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O mistério não tão misterioso por trás dos desenhos em plantações

Embora suscitem muito debate, esses eventos costumam ser facilmente explicados por meio da atividade humana

Por Sabrina Brito - Atualizado em 13 jul 2020, 16h25 - Publicado em 13 jul 2020, 15h15

A cada ano que se passa, surgem notícias de desenhos gigantescos que aparecem de repente em plantações pelo planeta. A origem desses símbolos desperta a curiosidade de milhares de pessoas, que chegam a especular sobre alienígenas ou viajantes no tempo para explicar o fenômeno. Contudo, a realidade costuma ser muito menos extravagante.

O mais recente evento do tipo foi o surgimento de um sinal gigantesco, atribuído aos templários, em um campo de trigo na cidade francesa de Vimy. De acordo com o dono da plantação, cerca de 300 metros quadrados de trigo foram destruídos pelo enorme símbolo, que apareceu a dias da colheita.

A empolgação em torno do assunto suscitou discussões intermináveis sobre o sinal. Contudo, se tomarmos outros eventos do tipo como referência, o mais provável é que se trate de uma espécie de fraude arquitetada pelo homem.

Embora alguns casos de aparecimento de símbolos em plantações tenham sido registrados há mais de três séculos, a explosão do número de casos se deu principalmente depois da década de 1970. Em 1991, os britânicos Doug Bower e Dave Chorley foram à público declarar a autoria dos fenômenos do tipo que vinham sendo observados desde 1978.

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Munidos de uma tábua e cordas, eles andaram por algumas plantações deixando marcas abstratas e misteriosas. De acordo com a dupla (que, aliás, se autoproclama “um par de pregadores de peças”), a inspiração veio dos círculos encontrados em campos australianos em 1966. A intenção inicial era fazer parecer que uma nave espacial havia pousado no local. Entre 1978 e 1991, Bower e Chorley afirmaram ser responsáveis por mais de 200 desenhos em plantações pela Inglaterra.

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Assim que os símbolos chegaram aos jornais, grupos de curiosos foram atraídos aos locais dos “fenômenos” e logo começaram a tecer teorias das mais mirabolantes. Entre as sugestões propostas, estavam as de que os sinais fossem: uma lente através da qual poderia ser visto o mundo dos espíritos, uma mensagem de alienígenas e até mesmo indícios da angústia do planeta Terra frente ao caos ambiental.

Depois das pegadinhas da dupla de britânicos, desenhos parecidos foram observados em campos de trigo, milho, canola e cevada do mundo todo. A cada ano que se passa, eles se tornaram maiores e mais complexos, constituindo verdadeiras maravilhas geométricas pelo planeta.

De forma geral, essas “obras” encontram-se próximas a regiões já consideradas misteriosas, o que aumenta o interesse por elas. Por exemplo, algumas já foram encontradas próximas ao monumento de Stonehenge, cujas origens e propósito não são inteiramente conhecidos por historiadores.

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O consenso entre estudiosos é de que os símbolos encontrados em campos costumam ser ambíguos e abertos à interpretação, o que causa as acaloradas discussões acerca do tema. Segundo os especialistas, cerca de 80% dos sinais em plantações é feito por pessoas normais, geralmente como forma de pegadinha, arte ou propaganda.

Um exemplo de como esses eventos podem ser usados para marketing aconteceu em 2013, quando um desenho de mais de 100 metros de diâmetro apareceu em um campo na Califórnia. Depois de alguns dias, foi revelado que a obra tratava-se não de um calendário astronômico extraterrestre ou do local de pouso de uma nave, mas de um chip de processamento que seria lançado em breve por uma empresa de tecnologia.

Pode também se tratar de um fenômeno natural. Em 2009, foi concluído que os sinais que apareceram em plantações na Tasmânia eram resultado da atividade de um grupo de wallabies, marsupiais locais. Após consumirem sementes de papoula do entorno, os animais, sob efeito do opiáceo, começaram a correr em círculos, gerando os desenhos observados.

Outra opção, defendida por alguns especialistas, é a de que os sinais sejam produto da ação do campo magnético terrestre, que pode criar correntes que eletrocutam a plantação e geram linhas desenhadas na superfície.

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