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O Homo sapiens foi o primeiro hominídeo a enterrar os mortos?

Novo estudo traz à tona a possibilidade de que neandertais enterravam cadáveres há dezenas de milênios

Por Sabrina Brito 10 dez 2020, 13h52

Há muitos anos, uma pergunta gera discussões entre a comunidade científica: seria o Homo sapiens o único hominídeo a enterrar cadáveres de seus pares? Em geral, a divergência de opiniões forma dois grupos: o de especialistas que acreditam se tratar de uma inovação exclusiva da nossa espécie e o de especialistas que acreditam que neandertais, nossos ancestrais diretos, já realizavam esse tipo de ritual.

Mas uma nova pesquisa pode ajudar a cimentar a questão. Pela primeira vez na Europa, uma equipe de cientistas de diversas nacionalidades e especialidades demonstraram o enterro de uma criança neandertal de dois anos que morreu há cerca de 41 milênios na atual França. O estudo foi publicado no último dia 9 no periódico científico Scientific Reports.

Não se trata do primeiro esqueleto neandertal enterrado já encontrado; na verdade, dezenas de resquícios do tipo foram descobertos, ao longo dos anos, na Europa e na Ásia. Para os mais céticos, porém, isso não significa necessariamente que eles enterravam os mortos. Afinal, as escavações realizadas no século XX foram realizadas de acordo com técnicas por vezes precárias, o que poderia ocasionar erros na interpretação do modo como o corpo acabou ali.

No novo estudo, os pesquisadores analisaram os restos da criança na França e constataram que os ossos foram encontrados na sua posição anatômica. Além disso, eles estavam melhor preservados do que os ossos de animais encontrados no mesmo estrato do solo, o que indica um enterro rápido, logo após a morte. A análise do solo revelou ainda que a camada em que a criança foi enterrada era mais antigo do que o restante da terra ao seu redor, solidificando a hipótese do enterro.

Assim, em resumo, a pesquisa apontou que, provavelmente, o corpo da criança neandertal foi propositalmente depositado em uma camada de terra há 41 mil anos. Ainda assim, é necessário realizar mais estudos para assentar a questão, além de entender melhor o ritual e sua importância para os hominídeos que nos precederam na Terra.

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