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Novo projeto brasileiro sugere estocagem de CO2 em rochas

Coordenado por profissionais da USP, o trabalho pode resultar em benefícios econômicos e ambientais

Um novo estudo do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) e da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), ao qual o site de VEJA teve acesso antecipado, está investigando novas formas de estocar no subsolo o gás carbônico, o maior responsável pelo efeito estufa. A pesquisa busca ajudar o Brasil a cumprir o Acordo de Paris, firmado em 2015, e no qual várias nações se comprometeram a deter o aumento da temperatura média global acima de 2°C até 2050.

O intuito do trabalho é pensar em modos de sequestrar o CO2 da atmosfera, capturando-o ainda nas fontes emissoras (como em usinas e indústrias), e estocá-lo no subsolo. “O dióxido de carbono é injetado em alta pressão dentro de rochas permeáveis no interior da Terra, e, uma vez instalado, se movimenta até encontrar camadas de rochas impermeáveis onde ficará acumulado em uma espécie de armadilha”, explica Colombo Tassinari, coordenador do projeto e diretor do IEE.

“É o mesmo processo que também mantém o petróleo armazenado por milhões de anos nas rochas em profundidade, indicando que o dióxido de carbono pode ficar retido nestas rochas em segurança por um longo tempo”, comenta.

As melhores opções encontradas pelos pesquisadores para este projeto foram duas: o armazenamento do gás em rochas sedimentares porosas e o aprisionamento de gás carbônico na camada de sal da bacia de Santos, no Rio de Janeiro.

De acordo com Tassinari, as conclusões preliminares do estudo indicam que rochas chamadas folhelhos negros seriam as mais favoráveis para a estocagem do gás. As regiões sul e sudeste do país, que são as maiores produtoras nacionais de CO2, são também onde se encontram mais folhelhos, tornando-as adequadas para o armazenamento.

Para os cientistas, mapear os locais onde o gás pode ser aprisionado pode fazer com que, no futuro, as indústrias que emitem bastante CO2 possam se instalar perto desses lugares, diminuindo o custo do transporte do gás. Desse modo, aliado ao fato de que o sequestro de carbono ajuda a reduzir o efeito estufa, o benefício do projeto seria econômico, além de ambiental.

Outra opção de armazenamento consiste em estocar o dióxido de carbono em bacias como as de Campos e Santos, no Rio de Janeiro, de onde se extrai o petróleo do pré-sal. A injeção de gás ocorreria, nessas regiões, de forma semelhante ao processo que se dá em terra.

Segundo o estudo, o gás carbônico poderia permanecer aprisionado nessas rochas por pelo menos mil anos sem que haja nenhum problema ambiental. O projeto, portanto, expande os horizontes da ciência brasileira, sobretudo ao constituir uma solução sustentável para a melhoria da qualidade do ar e para a diminuição dos danos causados pelo efeito estufa.