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Novo golfinho de água doce é descoberto no Brasil

O boto-do-Araguaia representa a quinta espécie desses animais conhecida no planeta, e pode estar ameaçado de extinção

Por Da Redação Atualizado em 6 Maio 2016, 16h14 - Publicado em 23 jan 2014, 15h43

Cientistas brasileiros identificaram uma nova espécie de golfinho de água doce na região da Amazônia. Batizado como boto-do-Araguaia, ele representa a quinta espécie desse tipo de animal conhecido no planeta. A pesquisa, realizada por cientistas da Universidade Federal do Amazonas, em Manaus, foi publicada nesta quarta-feira, no periódico Plos One.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: A New Species of River Dolphin from Brazil or: How Little Do We Know Our Biodiversity

Onde foi divulgada: periódico Plos One

Quem fez: Tomas Hrbek, Vera Maria Ferreira da Silva, Nicole Dutra, Waleska Gravena, Anthony R. Martin e Izeni Pires Farias

Instituição: Universidade Federal do Amazonas e outras

Resultado: Os pesquisadores descobriram uma nova espécie de golfinho de água doce no Brasil, o boto-do-Araguaia

Os autores descobriram um pequeno grupo de golfinhos na bacia do rio Araguaia – também conhecidos como botos no Brasil – que se distinguiam das demais populações. A realização de testes genéticos confirmou se tratar de espécies diferentes, uma das quais ainda não havia sido identificada.

O boto-do-Araguaia, que recebeu o nome científico Inia araguaiaensis, representa a primeira descoberta de um golfinho de água doce em quase 100 anos. O último caso ocorreu em 1918, quando os cientistas descobriram o golfinho branco chinês ou bajii (Lipotes vexillifer), que foi considerado extinto depois de uma missão de busca feita em 2006 não ter encontrado nenhum desses animais.

Thinkstock

Boto cor de rosa

Boto-cor-de-rosa, “parente” da nova espécie descoberta

Parentes próximos – O estudo mostrou que os botos-do-Araguaia se separaram das outras espécies de botos da América do Sul há mais de dois milhões de anos. Os pesquisadores acreditam que a nova espécie é derivada do boto-cor-de-rosa, presente na Amazônia, apesar de ter se distanciado dele há muito tempo.

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Os dois são muito parecidos fisicamente, com exceção do número de dentes desses animais e seu tamanho – a espécie do Araguaia é menor. As razões que possibilitaram a separação entre duas espécies são principalmente genéticas. Segundo Tomas Hrbek, principal autor do estudo, as diferenças entre eles são maiores do que entre outras espécies de golfinhos.

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Ameaça – Os pesquisadores brasileiros afirmam terem visto aproximadamente 120 botos-do-Araguaia durante as 12 semanas de duração do estudo, e estimam que existam, no total, cerca de 600 a 1 000 desses animais na região. Eles alertam para o fato de que o novo boto já pode estar seguindo o caminho de seu parente chinês, pois os golfinhos de água doce são comumente mortos para evitar que atrapalhem pescarias.

“Os golfinhos de água doce são um dos animais mais raros e mais ameaçados dentre os vertebrados”, escrevem os pesquisadores no artigo. Três das quatro espécies de golfinhos de água doce conhecidas até então estão na lista de animais ameaçados da União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN), e os pesquisadores acreditam que o boto-do-Araguaia deve ser classificado, pelo menos, como “vulnerável”.

“Desde a década de 1960 a bacia do rio Araguaia tem sofrido a pressão causada pela presença humana, com o desenvolvimento de indústrias, agricultura e pecuária e a construção de hidrelétricas, que têm efeitos negativos sobre o ecossistema”, escrevem os pesquisadores.

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