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Novo chip digere dados e calcula probabilidades

Empresa quer revolucionar modelos atuais, que não trabalham com chances

A tecnologia pode ajudar a descobrir o livro que alguém vai querer comprar na Amazon.com ou criar uma máquina melhor para sequenciamento genético

Ainda que pareça complexo, o funcionamento dos computadores é uma arte simples. Eles contam com pequenos interruptores que ligam e desligam, produzindo correntes de uns e zeros que os softwares traduzem em algo com significado para um ser humano. Alguns cientistas da computação encontram conforto no grau de certeza que vem da operações de sim-e-não.

A Lyric Semicondutor, uma nova empresa que nasceu do trabalho no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), imagina abandonar essa certeza em favor da probabilidade. Ela revelou, na semana passada, planos para construir um chip que possa calcular probabilidades. A tecnologia pode ajudar a descobrir o livro que alguém vai querer comprar na Amazon.com ou criar uma máquina melhor para sequenciamento genético.

“Há muitos problemas de probabilidade tão importantes que merecem seu próprio hardware”, disse Ben Vigoda, co-fundador e executivo-chefe da Lyric. A maior parte dos quase 20 milhões de dólares recebidos pela Lyric veio do Departamento de Defesa, e a empresa só se refere ao principal financiador como a agência governamental de três letras. O interesse militar gira em torno sobre a abordagem da Lyric para determinar a relação entre bits de informação num fluxo de comunicação e a separação de dados úteis e dispensáveis.

Varejo – Com o tempo, a Lyric tem planos de sair do trabalho militar e oferecer seus produtos para empresas que trabalham com grandes volumes de dados. Vigoda aponta empresas como a Amazon e o Google como possíveis beneficiários da nova tecnologia.

Hoje, sites de varejo utilizam muita potência dos computadores e algoritmos em ferramentas de previsão para tentar determinar qual produto alguém pode querer comprar com base em seu consumo passado e valorações. Esse é um grande enigma da probabilidade, que pesa sobre computadores tradicionais, feitos para lidar com questões em preto-e-branco.

A Lyric, ao contrário, pode dizer a um computador que alguém compra livros de mistério em 60% do tempo e de ficção científica em 30%, e depois caça qual é a probabilidade de o leitor gostar de um novo título que toque nesses interesses. Da mesma forma, a tecnologia poderia ser utilizada para determinar os melhores resultados de busca para um indivíduo, ou a probabilidade de um e-mail ser um spam. Também pode determinar se uma compra recente com cartão de crédito é fraudulenta com base em compras anteriores.

A empresa afirma que pode realizar esses cálculos usando apenas um punhado de transistores no interior de um chip, e não as centenas que fazem uso dos algoritmos atuais, porque criou um chip voltado à probabilidade. Isso significa que as empresas poderiam gastar muito menos em computadores para tarefas complexas e poupar tempo e energia.

Nicho – A abordagem da Lyric é parecida com outras companhias que encontraram nichos no passado. A Nvidia, por exemplo, cresceu depois que criou chips gráficos que faz coisas como videogames e simulações de armas nucleares funcionarem mais depressa.

Esta semana, a companhia apresentou uma amostra da tecnologia que pretende licenciar para fabricantes de memória de computadores e dispositivos digitais: um pequeno chip que pode ajudar a identificar erros que surgem nesses dispositivos de escrita e leitura de dados.

Jon Stokes, autor de Inside the Machine: Uma Introdução Ilustrada de Microprocessadores e Arquitetura de Computadores, disse que a Lyric terá “um caminho muito difícil pela frente”. “Levar isso a um novo patamar exige investimento de centenas de milhões de dólares e é muito difícil e arriscado levantar dinheiro para esse tipo de ação agora”, diz Stokes.