Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Novo acelerador de partículas será sete vezes mais potente

Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear pretende construir um novo colisor de partículas circular para substituir o LHC, usado na descoberta do Bóson de Higgs

A Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN) afirmou nesta quinta-feira que pretende construir um colisor de partículas circular sete vezes mais potente do que o famoso LHC (sigla em inglês para o Grande Colisor de Hádrons), que foi usado para a descoberta do Bóson de Higgs, a chamada “partícula de Deus”. Constituídos de grandes túneis no interior dos quais partículas são aceleradas até quase atingir a velocidade da luz, esses aparelhos ajudam a responder questões sobre a criação do universo, a natureza da matéria e fenômenos exóticos observados no espaço.

Saiba mais

BÓSON DE HIGGS

O bóson de Higgs é uma partícula subatômica prevista há quase 50 anos. Descoberto em 2012, o bóson rendeu no ano seguinte o Prêmio Nobel de Física ao britânico Peter Higgs e ao belga François Englert. Trata-se de um elemento-chave da estrutura fundamental da matéria.

LHC

O Grande Colisor de Hádrons (do inglês Large Hadron Collider, LHC) é o maior acelerador de partículas do mundo, com 27 quilômetros de circunferência. Ele pertence ao CERN, o centro europeu de pesquisas nucleares e está instalado na fronteira franco-suíça. Em seu interior, partículas são aceleradas em até 99,9% da velocidade da luz. Os experimentos ajudam a responder questões sobre a criação do universo, a natureza da matéria e fenômenos exóticos observados no espaço.

ELÉTRON-VOLT (eV)

O elétron-volt (eV) é uma unidade de medida que representa a quantidade de energia que um elétron ganha ao ser acelerado com a ajuda de 1 volt, no vácuo. A massa das partículas pode ser expressa em termos de elétron-volt. A relação se dá pela equação de Albert Einstein em que a energia é igual à massa vezes a velocidade da luz ao quadrado.

As estimativas do CERN são de que o LHC tenha mais vinte anos de vida útil. Como o desenvolvimento de um sucessor é um processo demorado, eles já anunciaram que pretendem construir um anel de 100 quilômetros de circunferência entre a França e a Suíça, possivelmente no mesmo local do LHC, aproveitando a estrutura de túneis já existente, de 27 quilômetros. Denominado FFC (Futuro Colisor Circular), o novo anel poderá ter até 100 teraelétron-volts (TeV) de energia nas colisões, enquanto a do LHC fica em 14 TeV.

Uma centena de pesquisadores vindos de todo o mundo se reunirá entre os dias 11 a 13 de fevereiro, na Universidade de Genebra, para lançar o programa e começar os estudos. Esta pesquisa se somará a outra, iniciada há vários anos, de um colisor linear compacto (Clic), um acelerador retilíneo de 80 quilômetros que poderia também passar sob a Suíça e a França.

O objetivo desses dois trabalhos é examinar a viabilidade das diversas máquinas e avaliar os custos para 2018/2019, quando será atualizada a estratégia europeia sobre a questão. “Somente os próximos resultados do LHC poderão nos indicar o tipo de acelerador mais adaptado”, afirmou Sergio Bertolucci, diretor de pesquisas informáticas no CERN.

Leia mais:

A incrível saga do bóson de Higgs

Pesquisadores que previram bóson de Higgs ganham Nobel de Física

(Com Agência France-Presse)