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Novas imagens ‘hi-tech’ do HIV podem ajudar na criação de vacinas

Especialistas americanos descreveram a estrutura e atuação do "espinho" do vírus da aids, que lhe permite entrar nas células imunológicas, passo importante para a criação de medicamentos contra a doença

Por Da Redação Atualizado em 6 Maio 2016, 16h09 - Publicado em 9 out 2014, 16h05

Uma boa notícia na longa e até agora frustrante busca pela vacina contra a aids: pesquisadores divulgaram, nessa quarta-feira, imagens moleculares de um traço característico que ajuda o HIV a infectar as células do sistema imunológico. Em artigos publicados nas revistas científicas Science e Nature, especialistas americanos descreveram a estrutura e atuação do “espinho” no vírus da imunodeficiência humana (HIV), que lhe permite penetrar nas células imunológicas CD4.

O HIV é envolto por esses “espinhos”, que se fundem com a proteína da superfície da célula imunológica atacada. Depois dessa fusão, o núcleo viral consegue entrar na célula e tornar seu mecanismo refém, forçando-a a produzir cópias do vírus. Os novos vírus, então, rompem as barreiras da célula e entram na corrente sanguínea, onde passam a infectar outras células do sistema imunológico. Como consequência, a defesa do organismo contra micróbios e outros invasores fica abalada, deixando o indivíduo mais vulnerável a doenças.

Interromper o processo de fusão é o principal objetivo dos criadores de vacinas, mas, por três longas décadas, essa meta tem sido impedida pela complexa mudança de formato do próprio “espinho” do vírus. As novas publicações apresentam as imagens mais detalhadas até o momento das moléculas gp120 e gp41, que formam a superfície, ou invólucro, dessa protuberância. Usando cristalografia de raios-X em alta-definição e adicionando moléculas fluorescentes para marcar seu invólucro, cientistas conseguiram observar a estrutura e as mudanças no formato de sua superfície.

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Em sua forma predominante, ela é “fechada”, o que dificulta a ação de anticorpos, que é a primeira resposta do sistema imunológico. Nessa configuração, as moléculas da superfície sofrem mutação rapidamente para enganar o sistema imunológico, com a exceção de uma “tropa de elite”, chamada de anticorpos amplamente neutralizadores. Segundo os cientistas, estes anticorpos, até agora descobertos em apenas uma pequena quantidade de pessoas infectadas pelo HIV, provavelmente são os melhores candidatos para uma vacina.

Pistas para a prevenção – Os novos dados agora podem ser aproveitados para afinar os trabalhos sobre medicamentos e anticorpos. “Esperamos que tornar visíveis os movimentos do HIV de forma que possamos acompanhar, em tempo real, como as proteínas na superfície do vírus se comportam e nos digam o que precisamos para saber prevenir a fusão com células humanas”, disse Scott Blanchard, da Faculdade de Medicina Weill Cornell, em Nova York, e co-autor do estudo da Science. “Se conseguirmos evitar a entrada do vírus HIV nas células imunológicas, vencemos”, conclui.

(Com Agência France-Presse)

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