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Nobel de Física premia dupla que comprovou massa dos neutrinos

O japonês Takaaki Kajita e o canadense Arthur B. McDonald receberam o reconhecimento pela descoberta das oscilações do neutrinos, partículas elementares da matéria, o que demonstra que têm massa. O conhecimento é crucial para a compreensão do universo.

O Nobel de Física de 2015 premiou nesta terça-feira (6) dois pesquisadores que descobriram que os neutrinos, partículas elementares da matéria, têm oscilações, o que demonstra que eles têm massa. O japonês Takaaki Kajita, pesquisador da Universidade de Tóquio, e o canadense Arthur B. McDonald, cientista da Universidade Queen’s, receberam o reconhecimento por suas contribuições para o conhecimento sobre a maneira como a matéria se comporta, “descoberta que pode se provar crucial para nossa visão do universo”, informou a Academia Real Sueca de Ciências em nota, ao anunciar os vencedores do prêmio de 8 milhões de coroas suecas (equivalente a 962.000 dólares).

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De acordo com o comitê que concede o prêmio, os dois pesquisadores trabalharam em experimentos importantes com essas partículas subatômicas (como o elétron e o próton), sem carga elétrica (como o nêutron) e, por isso, muito difíceis de capturar. Produzidos em grandes reações cósmicas, como reações nucleares dentro do Sol, os neutrinos são a segunda partícula mais abundante no Universo (as primeiras são os fótons).

“Mudança de identidade” – Apesar disso, durante muitos anos, os neutrinos foram vistos como a substância mais esquiva do cosmos – acreditou-se durante algum tempo que não possuíam massa, o que lhe deu a alcunha de partículas “fantasmas”. Isso acontecia porque os cálculos teóricos previam certa quantidade de neutrinos que deveria estar bombardeando a Terra, mas, aparentemente, dois terços dela estavam faltando.

A dupla de cientistas premiados ajudou a resolveu essa “charada”. Ela mostrou que os neutrinos, que são encontrados em três “sabores” (neutrino do múon, neutrino do tau e o do elétron), não desapareciam, mas oscilavam entre essas “classes”. As partículas mudam de identidade enquanto viajam através do espaço ou da atmosfera, o que mostra que têm massa.

Em 1998, Kajita fazia parte de uma equipe de pesquisadores que descobriu que os neutrinos da atmosfera se alternavam entre duas identidades em sua trajetória até o detector Super-Kamiokande, um observatório de neutrinos localizado um quilômetro abaixo da superfície, no Japão. Um ano depois, McDonald anunciou que os neutrinos que partiam do Sol não estavam desaparecendo na rota até a Terra. Junto a um time de cientistas, o pesquisador capturou os neutrinos no observatório de Neutrinos em Sudbury, no Canadá, e revelou que eles estavam mudando de “identidade”.

“Para a física de partículas, essa foi uma descoberta histórica”, afirmou o comitê do Nobel, em nota.

O Nobel de Física foi o segundo prêmio entregue este ano. Na manhã desta segunda-feira, um trio de cientistas recebeu o Nobel de Medicina por pesquisas que ajudaram a combater parasitas. Os prêmios foram entregues pela primeira vez em 1901 para honrar avanços na ciência, literatura e paz, de acordo com o testamento do inventor da dinamite e empresário Alfred Nobel.

(Da redação)