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No radar, um novo voo tripulado à Lua

Países que mantêm a Estação Espacial estudam novos usos para a base

Os sócios acreditam em um papel fundamental para a ISS como plataforma de desenvolvimento para a exploração do espaço sideral

A possibilidade de usar a estação espacial como base de lançamento para uma missão tripulada ao redor da Lua está em estudos por sócios da Estação Espacial Internacional (ISS). Relatórios discutindo o conceito foram trocados entre as agências espaciais americana, russa e europeia.

O voo à Lua evoca a Apolo 8, que fez a famosa fotografia conhecida como Earthrise. As agências querem que a estação seja algo mais que uma plataforma de grande altitude para experiências em microgravidade. Gostariam de torná-la uma plataforma para tecnologias e técnicas necessárias para levar os seres humanos para fora da órbita baixa da Terra, explorar destinos como asteróides e Marte. Usar a estação como um espaçoporto, ou acampamento base, de onde os astronautas partem para sua jornada faz parte dessa nova filosofia.

“Precisamos de coragem para começar uma nova era”, disse a diretora de voos tripulados da Europa, Simonetta Di Pippo. “A ideia é levar à estação vários elementos da missão e montar a nave na ISS – uma pequena espaçonave que gire em torno da Lua.” Provavelmente, a nave retornaria para a Terra, não voltaria à ISS. Frank Borman, James Lovell e William Anders fizeram história quando conduziram a primeira missão lunar, ao testar o Módulo de Comando e Serviço (CSM) e seus sistemas de suporte à vida em preparação para o desembarque da Apolo 11. A nave deu dez voltas na Lua antes de voltar para casa.

Tal como na Apollo, qualquer tentativa moderna precisaria de algo como o CSM para os astronautas, em conjunto com um primeiro estágio – uma unidade de propulsão para lançar o veículo na direção da Lua e impulsioná-lo de volta à órbita baixa da Terra. O novo estudo vai avaliar quais são os elementos necessários que podem ser adaptados de sistemas espaciais que já existem.

Longo caminho – É bom ressaltar que a ideia, hoje, é apenas uma ideia. Há um longo caminho até se tornar realidade, e apenas o fato de o conceito ser examinado não é garantia de que será aprovado. Mas as agências, seus parceiros industriais e até defensores do turismo espacial já pensaram na repetição da missão da Apolo 8 na Lua, nem que seja para uma única órbita. O diferente agora é a nova forma de pensar sobre o uso da ISS nos próximos anos.

Todos os cinco sócios da estação – Estados Unidos, Rússia, Europa, Japão e Canadá – têm manifestado o desejo de continuar utilizando a plataforma pelo menos até 2020. E os engenheiros acreditam que muitos de seus módulos serão funcionais até o final da década de 2020.

As ciências voltadas à Terra em ambiente de gravidade zero sempre serão prioritárias e com seis ocupantes permanentes o tempo dedicado às experiências por astronauta subiu para 70 horas por semana.

Exploração do espaço – Com muitas tarefas de laboratório automatizadas, deve haver espaço para novas atividades. Os sócios acreditam em um papel fundamental para a ISS como plataforma de desenvolvimento para a exploração do espaço sideral.

Essas atividades poderão incluir novos robôs, módulos de vida infláveis para crescimento de comida, novas tecnologias de suporte à vida, sistemas de proteção contra radiação, comunicações, de sensores e novas abordagens para a telemedicina – algo necessário aos astronautas em missões longe da Terra. Aprender como montar veículos de exploração na ISS também seria parte desta nova visão.

Se os seres humanos forem aos asteróides ou à Marte, a escala da infraestrutura necessária para garantir um volta segura talvez não possa ser lançada por um foguete da Terra. As peças teriam de ser enviadas em múltiplos voos e unidas em órbita. Fazer essa montagem na ISS significa que o trabalho será supervisionado por astronautas com acesso fácil a ferramentas, se necessário.