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Nasa encontra gelo e material orgânico em Mercúrio

Regiões permanentemente escuras do planeta contêm água congelada e compostos orgânicos, que teriam chegado por meio de asteroides

Por Da Redação Atualizado em 6 Maio 2016, 16h24 - Publicado em 29 nov 2012, 18h54

Dados coletados pela sonda Messenger, lançada pela Nasa em 2004 para estudar Mercúrio, mostram que regiões permanentemente escuras do planeta contêm água congelada e material orgânico. Três estudos sobre o tema foram publicados nesta quinta-feira pela revista Science.

Os instrumentos da Messenger começaram a estudar o planeta de maneira detalhada apenas em março de 2011. Desde então, foram coletados dados que ajudam a entender como os planetas do Sistema Solar adquiriram água e algumas das substâncias químicas que possibilitam o surgimento de vida.

A proximidade de Mercúrio com o Sol poderia sugerir que o planeta fosse muito quente para a existência de gelo. No entanto, Mercúrio possui uma leve inclinação em relação ao Sol, o que faz com que algumas regiões de seu Polo Norte nunca sejam atingidas pela luz solar.

Em 1991, dados coletados pelo radiotelescópio de Arecibo, em Porto Rico, detectaram trechos claros no polo do planeta. Os cientistas teorizaram, então, tratar-se de água, mas a hipótese não havia sido testada. As novas observações dão suporte à ideia de que é mesmo água, na forma de gelo, o principal constituinte dessas manchas. O gelo está exposto na superfície do planeta em locais onde as temperaturas são as mais baixas possíveis. Nas demais regiões, está enterrado debaixo de um material escuro.

Compostos orgânicos – Usando os instrumentos da nave, os pesquisadores conseguiram medir a concentração de hidrogênio nas crateras – que indica qual a concentração de água. “A partir de medições do nêutrons, conseguimos estimar que o gelo se encontra debaixo de uma camada com muito menos hidrogênio. Essa camada tem entre 10 e 20 centímetros de grossura”, diz David Lawrence, cientista do Laboratório de Física Aplicada da Universidade John Hopkins.

Em outro estudo, os pesquisadores mediram a região escura do planeta usando comprimentos de onda próximos do infravermelho. Eles encontraram depósitos claros e escuros. Nas áreas escuras, confirmou-se que o gelo está coberto por camadas que o isolavam termicamente. Segundo os pesquisadores, o impacto de cometas ou asteroides poderia ter formado tanto os depósitos claros quanto os escuros, uma descoberta corroborada pelo terceiro estudo do conjunto.

“O material escuro é provavelmente uma mistura complexa de compostos orgânicos levados até Mercúrio pelo impacto de cometas e asteroides, os mesmo objetos que levaram água para outros planetas”, diz David Paige, pesquisador da Universidade da Califórnia e autor do estudo.

“Por mais de 20 anos, os cientistas têm discutido se o planeta mais perto do Sol possui quantidades abundantes de água em suas regiões escuras. A Messenger agora forneceu um veredito afirmativo definitivo”, diz Sean Solomon, pesquisador da Universidade de Columbia.

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