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Nanopartículas inibem metástase de câncer em ratos

Pesquisadores espanhóis combinaram nanotecnologia com remédios antitumorais

Por Da Redação Atualizado em 6 Maio 2016, 16h34 - Publicado em 7 jun 2012, 14h59

Pesquisadores espanhóis elaboraram um tratamento com nanopartículas que inibe 100% das metástases linfáticas em ratos com linfoma de células de manto. O resultado deste trabalho foi publicado na edição de maio da revista Nanomedicine UK.

O grupo responsável pela pesquisa é formado por cientistas da Universidade de Navarra (Espanha), em colaboração com o Centro de Pesquisa do Câncer de Salamanca, também localizado na Espanha.

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NANOTECNOLOGIA

É a parte da ciência que estuda o controle da matéria em escala atômica e molecular, entre um e 100 nanômetros. Um nanômetro equivale a um milímetro dividido em um milhão de partes. Para se ter uma ideia, o fio de cabelo possui uma espessura média de 75.000 nanômetros. Com a nanotecnologia, os cientistas conseguem produzir materiais com propriedades especiais, controlando a forma como eles absorvem e espalham a luz e conduzem eletricidade e calor, por exemplo.

METÁSTASE

Propagação de células cancerígenas em uma localização totalmente nova do local onde elas foram inicialmente encontradas.

LINFOMA

É o termo usado para designar os tumores cancerígenos no sistema linfático, formado por vasos finos e gânglios (linfonodos) que atuam na defesa do organismo levando nutrientes e água às células e retirando resíduos e bactérias. Há dois tipos principais de linfoma: a doença de Hodgkin e o linfoma não Hodgkin. O linfoma das células de manto é uma variação do linfoma não Hodgkin. Essa doença matou, em 2009, 3.735 brasileiros, sendo 2.054 homens e 1.681 mulheres. A doença de Hodgkin, por outro lado, foi responsável por 431 mortes no ano de 2006, sendo 233 homens e 198 mulheres.

O tratamento é feito com um remédio baseado em nanopartículas que são inseridas no fármaco antitumoral edelfosina, administrado oralmente.

De acordo com os pesquisadores, essas nanopartículas são capazes de se acumular nos gânglios linfáticos e destruir seletivamente as células tumorais, sem atingir as células boas.

Os autores defendem que a administração oral do remédio poderia evitar a hospitalização do paciente, geralmente necessária em tratamento tradicional com quimioterapia.

O estudo indica que uma administração de nanopartículas de edelfosina a cada quatro dias pode ser tão eficaz quanto uma administração diária do fármaco sem nanopartículas.

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Resultados promissores – Para Ander Estella, um dos autores do estudo, o resultado mais surpreendente da pesquisa foi a capacidade das nanopartículas com edelfosina inibirem a metástase.

“Enquanto a administração diária do fármaco sem nanopartículas reduzia as metástases em 50%, a administração a cada quatro dias das nanopartículas com edelfosina eliminou 100% das metástases linfáticas”, ressalta Estella.

Os autores acreditam que esses resultados abrem uma nova porta para pesquisa e desenvolvimento de tratamentos mais eficazes e seguros contra diversos tipos de câncer. Eles acrescentam que a eficácia dos nanossistemas está sob análise em casos outros casos de câncer como um tipo de leucemia e de câncer de mama.

Perguntas & respostas

  • 1. O que é linfoma? É o termo usado para designar os tumores cancerígenos no sistema linfático, formado por vasos finos e gânglios (linfonodos) que atuam na defesa do organismo levando nutrientes e água às células e retirando resíduos e bactérias.
  • 2. Quais os tipos existentes? Existem duas categorias: o linfoma de Hodgkin e o linfoma Não-Hodgkin. Há dezenas de tipos dentro dessas categorias – uma lista atualização constante. O linfoma de Hodgkin é mais raro e atinge na maioria jovens e pessoas de meia idade. Já o Não-Hodgkin, como o que afetou o ator Reynaldo Gianecchini e a presidente Dilma Rousseff, responde por 90% dos casos e atinge sobretudo pessoas com mais de 55 anos. Os linfomas são classificados em quatro estágios. No estágio 1, observa-se envolvimento de apenas um grupo de linfonodos. Já no estágio 4, há envolvimento disseminado dos linfonodos.
  • 3. Existe apenas um tipo de Linfoma não Hodgkin? Os linfomas não Hodgkin são, na verdade, um grupo de cânceres que correspondem a mais de 20 doenças diferentes. A maioria (85%) atinge os linfócitos B e menos de 15% são de células T.
  • 4. O que causa o linfoma? Em geral não é possível descobrir a causa. Mas são conhecidos alguns fatores de risco:

    – Sistema imune comprometido – Pessoas com baixa imunidade, em razão de doenças hereditárias, uso de drogas imunossupressoras e infecção por HIV, têm maior risco de desenvolver linfomas. Pacientes portadores dos vírus Epstein-Bar e HTLV1 e da bactéria Helicobacter pylori têm risco aumentado para alguns tipos de linfoma.

    – Exposição química – Os linfomas estão também ligados à exposição a certos agentes químicos, incluindo pesticidas, solventes e fertilizantes.

    – Exposição a altas doses de radiação.

  • 5. Quais os sintomas? O principais sintomas são aumento dos linfonodos do pescoço, axilas e/ou virilha; sudorese noturna excessiva; febre; prurido (coceira na pele); e perda de peso inexplicada, sem infecções aparentes. A lista pode incluir outros sintomas que dependem da localização do tumor. Se a doença ocorre na região do tórax, por exemplo, os sintomas podem ser de tosse, falta de ar e dor torácica.
  • 6. Como se diagnostica o linfoma? São necessários vários tipos de exames para determinar o tipo exato de linfoma e esclarecer outras características, reunindo informações úteis para a escolha do tratamento mais eficaz. Os métodos utilizados são:

    – Biópsia, ou retirada e análise de uma pequena porção de tecido, em geral linfonodos.

    – Exames de imagem.

    – Estudos celulares, que incluem, entre outros, a análise de cromossomos. Novos testes, bastante promissores, surgem a partir de trabalhos com a análise do genoma.

  • 7. Quais os tratamentos? A maioria dos linfomas é tratada com quimioterapia, radioterapia ou ambos. A quimioterapia consiste na combinação de duas ou mais drogas, sob várias formas de administração, de acordo com o tipo de linfoma. A radioterapia normalmente é usada para reduzir a carga tumoral em locais específicos, aliviar sintomas relacionados ao tumor e também consolidar o tratamento quimioterápico, diminuindo as chances de recaída em certas áreas do organismo mais suscetíveis.
  • 8. Quais as chances de cura? As chances de cura variam muito e dependem fundamentalmente do estágio em que a doença é diagnosticada e do tipo de linfoma. Hoje, o cálculo do risco baseia-se nesses dois fatores e no chamado índice prognóstico, que considera uma série de características do paciente. Algumas condições, como ter 60 anos ou mais, sofrer de anemia e ter presença elevada de determinadas enzimas no organismo, elevam o índice e portanto o risco.
  • 9. Existem formas de prevenção da doença? Assim como em outros tipos de câncer, é possível que dietas ricas em verduras e frutas tenham efeito protetor contra o desenvolvimento de linfomas. Os especialistas, contudo, lembram que ainda não existem formas de prevenção comprovadas.
  • 10. Quantos casos acontecem por ano no Brasil? Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), houve, em 2009, 4.900 novos casos em homens e 4.200 em mulheres.

(Com Agência EFE)

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