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Mudanças naturais no clima, e não a ação humana, é que extinguiram grandes mamíferos, diz estudo

Pesquisa publicada hoje (23) na Science mostra que os eventos de rápido aquecimento foram mais decisivos para o desaparecimento dos animais do que a atividade do homem

Por Da Redação Atualizado em 6 Maio 2016, 16h02 - Publicado em 23 jul 2015, 16h53

Há 50 000 anos, o planeta era em muito habitado por animais de grande porte, com mais de 45 quilos, que hoje chamamos de megafauna. Passavam de 150 espécies, entre elas mamutes e tatus enormes. Dois terços desses animais desapareceram 30 000 anos depois, e a comunidade científica ainda não tinha entrado em consenso sobre qual seria o motivo dessa extinção maciça. A maioria achava que a culpa era do homem, que caçava esses animais há milênios. Uma nova pesquisa, porém, aponta que nós não fomos os responsáveis, mas, sim, a natureza.

O estudo, publicado nesta quinta-feira (23) na revista americana Science, contribui para o debate ao bater o martelo: o fator decisivo para o desaparecimento dos grandes animais foram as mudanças climáticas, e não a ação humana. Segundo essa teoria, o aquecimento global explica os eventos de extinção. Não o de agora, mas o de milênios atrás.

O rápido aquecimento, por efeito de mudanças naturais no balanço climático do planeta depois de um período glacial, exigiu adaptação de toda a fauna e flora terrestre. Para chegar a essa conclusão, cientistas da Universidade de Adelaide, na Austrália, examinaram fósseis de animais da megafauna à procura de indicações de extinções. A análise do DNA mostrou aos pesquisadores quando a diversidade genética das espécies diminuiu após as alterações na temperatura da atmosfera. Com isso, os estudiosos perceberam que os mamíferos foram desaparecendo aos poucos, gradativamente, e não de uma vez. Ou seja, não eram mortos na caça. Mas vítimas de um novo contexto, aos quais muitos dos representantes da megafauna não sobreviveram.

Paralelamente, os cientistas buscaram informações sobre as mudanças climáticas daquele período, pela análise de camadas de gelo da Groelândia. As geleiras abrigam moléculas de ar antigas, enclausuradas por milênios, e que ainda conservam as propriedades químicas daquela época. Ao examinar a composição de cada uma, é possível aferir como era a temperatura em cada século, já que o aquecimento que seguiu o período glacial não foi gradual, mas consequente de eventos rápidos, nos quais a temperatura subia de 4 a 16 graus em poucas décadas. Para comparar, era mais intenso do que é o atual, este efeito das ações humanas, como pela queima de combustíveis fósseis.

Por fim, os cientistas compararam as informações e assim descobriram que os eventos de aumento significativo da temperatura foram acompanhados de extinções de espécies da megafauna. Concluíram, então, que o desaparecimento dos animais foi um ciclo natural. Os mamutes, por exemplo, até hoje tidos como grandes vítimas dos caçadores humanos, estariam nessa lista, dos que sumiram por não se adaptarem.

“Podemos ver uma relação entre os períodos de aquecimento e as extinções, mas não conseguimos dizer se (o que mais prejudicou os animais) foi o aumento de temperatura ou o ritmo da mudança. Só é certo que é um dos dois”, certificou Alan Cooper, autor do estudo e diretor do Centro Australiano de DNA Antigo, da Universidade de Adelaide.

(Da redação)

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