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Morte em massa de animais inspira teorias apocalípticas

Apesar das especulações, especialistas afirmam que casos não são incomuns

Por Da Redação Atualizado em 6 Maio 2016, 17h11 - Publicado em 7 jan 2011, 06h15

A causa mais frequente de mortes em massa de aves são doenças, embora a contaminação e acidentes com aviões também possam ser relacionados

Primeiro, 5.000 melros caíram mortos do céu no Arkansas, sul dos Estados Unidos, na noite de Ano Novo. Depois, mais pássaros caíram em outras regiões do país. Na sequência, uma enorme quantidade de peixes apareceu morta. Subitamente, os relatos de mortes em massa de aves e peixes tornaram-se um fenômeno mundial, com casos na Suécia, Grã-Bretanha, Japão, Tailândia e outros países. Entre as vítimas, pombas, águas-vivas, pargos, gralhas… No Brasil, no litoral do Paraná, mais de 100 toneladas de peixes apareceram mortos.

Por este motivo, fãs de teorias da conspiração, apocalípticos e extremistas religiosos voltaram a afirmar que o fim está próximo, com citações do versículo bíblico de Oseias 4:1-3: “A terra se lamenta e tudo o que nela há desfalece, juntamente com os animais do campo e com as aves do céu; e até os peixes do mar perecem”. A palavra “pássaros” já é agora a mais procurada no site do jornal New York Times.

‘Não é um fato incomum’ – À medida que tais especulações inundam a blogosfera, os especialistas em vida silvestre demonstram irritação. “Não é tão incomum”, disse Kristen Schuler, cientista do Centro de Vida Silvestre do Serviço Geológico dos Estados Unidos. “Não há nada de apocalíptico, nem nada que esteja necessariamente fora do normal, nada que não veríamos em qualquer outra semana”, sublinha.

Com relação às aves mortas no Arkansas, na cidade de Beebe, a causa mais provável foi o barulho dos fogos de artifício do Ano Novo, que fez as aves entrarem em pânico e, desorientadas, se chocarem contra edifícios e árvores. A 160 quilômetros dali, no rio Arkansas, reportou-se também a morte de 80.000 a 100.000 peixes. Em Louisiana (também no Sul dos Estados Unidos), Schuler explicou que aparentemente o frio matou cerca de 500 pássaros.

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Morte natural – Em Maryland (nordeste) foi reportada a morte de dois milhões de peixes na baía de Chesapeake. Mas as autoridades rapidamente tentaram dissipar preocupações, afirmando que estas últimas mortes foram o resultado de uma incomum onda de frio, combinada com a superpopulação de peixes. “Os peixes parecem ter morrido de causa natural”, anunciou em comunicado o Departamento de Meio Ambiente de Maryland, destacando que a temperatura da água no mês passado foi a mais fria em 25 anos. Com relação às mortes de pássaros e peixes em outras partes do mundo, muitas ainda estão sendo investigadas.

Doenças e aviões – Segundo Doug Inkley, da Federação de Vida Silvestre dos Estados Unidos, a causa mais frequente de mortes em massa de aves são doenças, embora a contaminação e acidentes com aviões também possam ser relacionados. E muitas vezes as pessoas sequer se dão conta. “Quase sempre são áreas que não ficam perto de populações humanas, como bosques ou florestas”, explicou Inkley ao canal de notícias CNN.

Mas na era da internet, onde quase nada fica em segredo, a notícia se propagou rapidamente. “Este tipo de história, quando sai na internet, salta imediatamente ao noticiário nacional”, disse Robert Thompson, professor de cultura pop da Universidade de Syracuse em Nova York. “Vamos admitir: grandes quantidades de pássaros que caem do céu e peixes que aparecem de barriga para cima dão uma boa história”, emendou.

Confira abaixo o mapa colaborativo dos relatos:

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(Com agência France-Presse)

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