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Morre William Knowles, Nobel de Química de 2001

As descobertas de Knowles, de Barry Sharpless e Ryoji Noyori tornaram possível a fabricação de um dos principais medicamentos contra o Parkinson

Por Da Redação - Atualizado em 6 maio 2016, 16h33 - Publicado em 19 jun 2012, 15h09

O americano William Knowles, que em 2001 dividiu o Prêmio Nobel de Química com seu compatriota Karl Barry Sharpless e o japonês Ryoji Noyori por pesquisas que ajudaram no tratamento do Parkinson, morreu aos 95 anos, informou nesta segunda-feira o jornal Washington Post.

Lesley McIntire, filha do químico americano, confirmou que seu pai faleceu na quarta-feira passada. Ele sofria de esclerose lateral amiotrófica (ELA).

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ESCLEROSE LATERAL AMIOTRÓFICA

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Doença que causa a perda progressiva dos movimentos e da fala devido à morte dos neurônios motores. Na maioria dos casos não há perda da capacidade cognitiva e a pessoa se torna uma prisioneira dentro do próprio corpo. É o caso do famoso físico inglês Stephen Hawkins. Estima-se que há 350.000 pessoas afetadas pela doença.

MOLÉCULAS QUIRAIS

Molécula quirais são idênticas na composição (têm os mesmos átomos), mas têm a forma de objetos refletidos no espelho. Uma molécula é como o reflexo da outra, como a molécula alanina (presente em nosso DNA), vista abaixo.

Alanina

Knowles trabalhou durante 44 anos na companhia Monsanto, uma fabricante de produtos químicos com sede na cidade de Saint Louis, até sua aposentadoria, em 1986. Quinze anos depois, aos 84 anos de idade, foi agraciado com o Nobel de Química.

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As descobertas que realizou enquanto trabalhava na companhia facilitaram a fabricação do remédio que posteriormente foi utilizado para tratar a doença de Parkinson. As pesquisas dos três cientistas se basearam nas propriedades das moléculas quirais. Knowles, professor emérito da Universidade de Missouri, descobriu que é possível utilizar certos elementos químicos – os metais de transição – para fabricar quirais catalisadores e obter como produto final a forma molecular procurada.

Sua pesquisa abriu passagem para a produção do fármaco L-dopa, ou levodopa, que é utilizado atualmente no tratamento do Parkinson. A levodopa funciona repondo a dopamina nos pacientes com Parkinson, que acontece justamente quando a comunicação entre os neurônios é prejudicada pela falta do neurotransmissor.

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Tempo de despertar

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Tempo de Despertar

O livro escrito pelo famoso neurologista Oliver Sacks narra sua experiência entre 1969 e 1972, no Hospital Mount Carmel, nos Estados Unidos, quando administrou a levodopa em pacientes com encefalite, doença que deixa as pessoas em um sono profundo. O livro foi transformado em filme em 1990, com Robert de Niro no papel de um paciente que contraiu a doença ainda adolescente e desperta, graças ao uso da levodopa, medicamento criado graças à pesquisa de Knowles, após décadas de sono. Oliver Sacks é representado por Robin Williams.

Autor: SACKS, OLIVER

Editora: COMPANHIA DAS LETRAS.

(Com Agência EFE)

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