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Mongólia tenta reaver dinossauro de 70 milhões de anos

Esqueleto teria sido exportado ilegalmente para os Estados Unidos

Por Da Redação - Atualizado em 6 Maio 2016, 16h32 - Publicado em 20 jun 2012, 15h40

A justiça nova-iorquina abriu um processo para decidir se deve ser devolvido à Mongólia um esqueleto de tiranossauro roubado no deserto de Gobi e leiloado em Nova York no mês passado, informou a promotoria de Manhattan.

O esqueleto reconstituído e quase completo deste Tarbossaurus bataar, primo mais novo do Tiranossauro Rex que viveu no período Cretáceo há cerca de 70 milhões de anos, foi exportado ilegalmente para a Flórida (sudeste dos Estados Unidos) a partir da Grã-Bretanha em março de 2010.

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TARBOSSAURUS BATAAR

O Tarbossauro viveu entre 70 e 65 milhões de anos atrás, no final do período Cretáceo (145 a 65,5 milhões de anos atrás), na região onde atualmente fica a Mongólia. Ele é da mesma família do Tiranossauro Rex, que viveu na América do Norte. Assim como seu primo famoso, o Tarbossauro possuía braços curtos e uma potente mordida. Era, porém, mais leve, graças aos ossos ocos. Os braços curtos (que nem sequer chegavam à boca) eram compensados por uma forte musculatura no pescoço e pelos enormes dentes e mandíbula. Carnívoro, bastava um ataque: depois tinha apenas o trabalho de esperar a presa morrer pela perda de sangue.

Fonte: Melbourne Museum

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O esqueleto foi leiloado no dia 20 de maio em Nova York por 1,05 milhão de dólares pela casa Heritage Auctions, com sede no Texas, segundo o promotor de Manhattan Preet Bharara.

De acordo com a denúncia apresentada no Tribunal Federal de Manhattan, os documentos da alfândega foram falsificados, davam como país de origem do esqueleto a Grã-Bretanha e afirmavam, entre outras coisas, que se tratava de duas cabeças de réptil. Seu valor foi estimado em 15.000 dólares, quando o esqueleto foi oferecido a um preço base de 950.000 dólares.

Antes do leilão, o governo da Mongólia obteve de um tribunal do Texas a proibição da venda e traslado do esqueleto. Apesar disso, o pregão foi realizado, mas o leiloeiro concordou em congelar a transação até que o caso seja decidido pela justiça. Jim Halperin, cofundador da Heritage Auctions, que detém a custódia do esqueleto do dinossauro, disse que a pessoa que comprou o fóssil o fez de “boa fé”, passou um ano e gastou uma “considerável quantia” restaurando a peça.

“Nós cooperamos com a investigação e continuaremos cooperando com as autoridades em um contínuo esforço para alcançar uma solução justa para este caso”, disse Halperin.

Os Tarbossaurus bataars foram descobertos em 1946, durante uma expedição no Deserto de Gobi. Desde 1924, a Mongólia possui leis declarando os fósseis propriedades do governo e criminalizando sua exportação.

O esqueleto em disputa, que segundo as autoridades da Mongólia foi descoberto entre 1995 e 2005 a oeste do deserto de Gobi, espera agora uma decisão sobre seu destino, o que poderá levar anos.

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