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Missão New Horizons chega a Plutão em voo histórico

Depois de viajar nove anos e quase 5 bilhões de quilômetros, a sonda da Nasa fez um rasante de ‘apenas’ 12 500 quilômetros de altitude sobre o planeta anão nesta terça-feira. É a primeira vez que uma espaçonave chega a essa parte do Universo, nos limites do Sistema Solar

A sonda espacial New Horizons fez um voo rasante histórico, de 12 500 quilômetros de altitude, em Plutão, nesta terça-feira. Ás 8h49 (horário de Brasília), os astrônomos que esperaram por nove anos por essa primeira aproximação de uma espaçonave no planeta anão, encheram uma sala do Centro de Física Aplicada Johns Hopkins, no subúrbio de Washington, nos Estados Unidos, de palmas e gritos emocionados ao verem que a nave chegou aparentemente sem problemas ao destino. “A sonda New Horizons conseguiu a maior aproximação de Plutão após uma jornada de 5 bilhões de quilômetros”, afirmou o comentarista da Nasa, enquanto os espectadores tremulavam bandeiras americanas. “Completamos o reconhecimento do Sistema Solar”, acrescentou o astrônomo Alan Stern, líder da missão New Horizons e cientista do Southest Research Institute, nos Estados Unidos (SwRI, na sigla em inglês).

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Após o feito, a primeira comunicação da sonda com a Terra deve acontecer ainda nesta noite, por volta das 22h (horário de Brasília), quando a New Horizons enviará informações e confirmará que a aproximação ocorreu sem problemas – ou seja, que ela sobreviveu às radiações, meteoritos e destroços de corpos celestes que circundam Plutão. Essas rochas podem colidir com a sonda e destruí-la. De acordo com informações da Nasa, porém, a chance de impacto é mínima, de 1 em 10 000. Se tudo correr bem, portanto, as primeiras fotos de alta resolução tiradas próximas a Plutão, aguardadas com ansiedade pelos cientistas, chegam à Terra nesta quarta-feira.

Dezesseis horas antes de atingir o ponto mais próximo, a sonda enviou a melhor imagem capturada de Plutão até agora. A nave estava a 766 000 quilômetros da superfície do planeta anão. Importante para o programa de exploração americano, a missão ganhou até uma homenagem do Google, que exibe um doodle sobre ela desde a noite da segunda-feira.

Exploração plutoniana – Essa aproximação de uma área desconhecida do Sistema Solar busca trazer informações sobre Plutão e sua maior lua, Charon. Pequenos planetas como Plutão são relíquias de mais de 4 bilhões de anos que podem trazer dados reveladores sobre as origens do Sistema Solar.

A sonda percorreu 4,8 bilhões de quilômetros desde que foi lançada pela Nasa, em janeiro de 2009. Naquela época, Plutão ainda não havia sido reclassificado como planeta anão e ainda menos se sabia sobre ele. A missão tentará coletar o máximo de imagens do corpo celeste e de suas cinco luas: Charon, Styx, Nix, Kerberos e Hydra.

No momento da maior aproximação, a câmera telescópica Long Range Recconaissance Imager (Lorri) da New Horizons fará imagens com resolução de uma aproximação equivalente a cerca de 100 metros, o que faz com que detalhes do tamanho de uma bola de futebol possam ser vistos. É uma qualidade até 500 vezes superior aos últimos registros. Isso significa que poderão ser notadas crateras, montanhas, lagos com água, gelo. Pela primeira vez, Plutão e seus satélites serão vistos em toda a sua complexidade.

Com as imagens e informações colhidas, os astrônomos procuram saber mais sobre a composição da superfície e atmosfera do planeta anão. Até o momento, sabe-se que sua crosta é coberta de nitrogênio congelado, dióxido de carbono, metano e água, mas muitas outras moléculas podem ser descobertas. A atmosfera é rica em hidrogênio, mas como a gravidade de Plutão é apenas 6% da terrestre, os gases que o circundam são facilmente dispersados pelo espaço.

Após se aproximar de Plutão, a New Horizons viajará para uma região do Sistema Solar conhecida como Cinturão de Kuiper, que se estende de Netuno até depois do planeta anão. Em Kuiper existem diversos planetas anões, mas a área foi até hoje pouco explorada por missões espaciais. Essa segunda etapa da viagem está prevista para o período entre 2016 e 2020.

(Da redação)