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Mergulhar até o Titanic, uma experiência mágica que não perde o encanto

O francês Paul-Henry Nargeolet fez parte, em 1987, da primeira expedição para recuperar objetos do Titanic e, desde então, desceu ao local do naufrágio cerca de trinta vezes, sem nunca perder a motivação por esta experiência mágica.

Este ex-membro do Instituto Francês de Pesquisa Marinha e atualmente chefe de exploração submarina da companhia RMS Titanic conhece todos os detalhes do local onde se encontram os destroços da embarcação, que naufragou na noite de 14 para 15 de abril de 1912 perto de Terranova (Canadá), provocando a morte de 1.500 de seus 2.200 passageiros.

Em uma entrevista à AFP, Nargeolet conta com paixão sua visão dos adornos da quilha do navio – “com as correntes das âncoras, os cabrestantes ainda brilhantes, limpos como se alguém os tivesse lustrado nesta mesma semana”.

O ex-militar também fala com emoção dos milhares de objetos que jazem para sempre no fundo do oceano e da degradação progressiva dos restos do navio, que visita de maneira regular há 25 anos, a última vez em 2010.

O que se vê no local a 3.800 metros de profundidade onde a embarcação descansa desde aquela trágica noite na qual se chocou de maneira fatal contra um iceberg? É a pergunta que todos fazem.

“É a escuridão absoluta. Utilizamos projetores, mas é um pouco como as luzes de um carro, não chegam muito longe. A água é extremamente fria, entre zero e um grau, e há corrente mais ou menos forte”, explica Nargeolet.

“A visibilidade varia e, em alguns dias, parece que neva sobre o barco devido às partículas que descem em geral da Corrente do Golfo”, acrescenta.

Sua lembrança mais forte continua sendo o dia de 1987 no qual encontrou pela primeira vez os destroços do famoso transatlântico de luxo que não chegou a completar sua viagem inaugural entre Southampton (Grã-Bretanha) e Nova York.

“Éramos três no submarino. Durante dez minutos não houve uma palavra. Normalmente fala-se muito em um submarino, mas a emoção era muito forte. Era magnífico”, afirma.

“Tivemos a sorte de chegar à parte dianteira, percorremos o casco. Estávamos certos de que era o Titanic”, continua.

Ao afundar, o Titanic se partiu em dois. Uma delas literalmente explodiu e tudo o que se encontrava ali ficou exposto.

“Veem-se louças, peças mecânicas, as caldeiras, muito carvão. Encontramos objetos muito bonitos, como jarros, mas também partes do barco completamente retorcidas, dobradas, o que mostra o impacto sofrido pelo casco”, detalha.

Ao longo das expedições, a mais longa de uma duração de oito a nove semanas, foram resgatados cerca de 5.500 objetos, entre eles roupas, documentos, objetos pessoais e partes do navio que agora são expostos em todo o mundo.

Os momentos de emoção não faltam, como quando leu uma partitura pertencente a um músico francês que se conservou em ótimo estado em uma mala de couro.

“Também recuperamos cartas escritas a mão, que ainda hoje podem ser lidas”, explica.

Na hora de escolher, Nargeolet destaca como seus favoritos um pequeno regador, um querubim e o impressionante pedaço de 20 toneladas do casco recuperado com enorme dificuldade.

A degradação do navio continua de maneira inexorável, com efeitos “cada vez mais visíveis”, avançando na proa, que estava em melhor estado, até “o nível da grande escada”, explica.

Mas Paul-Henry Nargeolet continua fascinado por um tema sobre o qual trabalha há 25 anos.

“Gosto muito dos destroços de navios, sejam quais forem. Gosto de encontrá-los, puxar o fio e trazer um pedaço da história”, confessa.

Nargeolet trabalha atualmente com vários pesquisadores para estabelecer uma cartografia completa em três dimensões dos destroços do navio, um projeto de vários anos que já está 85% concluído.