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Maior risco que nuvem vulcânica oferece é para aviação

Para especialistas, cinzas não devem trazer riscos à saúde dos brasileiros

Por Tatiana Gerasimenko Atualizado em 6 Maio 2016, 17h07 - Publicado em 10 jun 2011, 19h01

A visão do céu escurecido por cinzas de vulcão chileno Puyehue não deve, por enquanto, preocupar a população brasileira. Embora sejam formadas por gases tóxicos, as nuvens sobre o sul do Brasil estão a uma altura em que trazem transtornos apenas à aviação civil. As partículas do material ejetado durante a erupção podem ficar suspensas até 11 mil metros, altitude em que boa parte dos aviões trafegam. Por isso, mesmo com os voos no sul do Brasil retomados depois que as nuvens começaram a se dissipar, as companhias aéreas afirmam que podem voltar a suspendê-los caso reapareçam.

“As nuvens são formadas por cinzas, cujo material é à base de silicato, parecido com areia”, explica o geólogo da Unicamp Rogério Marcon. “É um material abrasivo que age na turbina dos aviões de forma perigosa. É por isso que, diante de qualquer indício, as companhias aéreas já começam a cancelar os voos.” O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) Saulo Freitas, especialista em dispersão de poluentes, afirma que este é, no momento, o maior problema causado no Brasil pelo vulcão. “Este tipo de fenômeno causa um grande transtorno, porque pode causar a explosão da hélice do avião”, ressalta. “Já ocorreram acidentes por conta disso.”

Figura criada com informações coletadas pela agência espacial europeia (ESA) mostram a trajetória do dióxido de enxofre gerada pelas erupções vulcânicas no Chile

Efeitos climáticos nulos – De acordo com os especialistas, da mesma forma que é difícil prever todos os terremotos, determinar como uma nuvem de partículas irá se comportar também pode ser uma tarefa árdua. As chuvas podem lavar a atmosfera, limpando principalmente o material que está abaixo dos 4 mil metros de altura (de acordo com a Força Aérea Brasileira, a nuvem de cinzas vulcânicas que cobriu 70% do Rio Grande do Sul estava a uma altitude de 7,5 mil metros). “Aqui na América do Sul o tempo está mais seco, então há uma dificuldade maior em dispersar este material”, explicou Marcon. Onde houver chuvas, cinzas serão envoltas pelas gotas e irão para o solo. A reação do dióxido de enxofre com a água poderá, no pior dos casos, causar um pouco de chuva ácida.

Freitas afirma que os ventos devem levar toda a poeira para o Atlântico até este sábado. Aos poucos, em função da gravidade, as partículas cairão no oceano. Caso isso não ocorra, e as partículas comecem a se agrupar novamente, os efeitos climáticos não devem ser severos. Apenas uma leve diminuição da luminosidade em regiões cobertas pela nuvem poderá ser notada. “Não há grandes efeitos na superfície da Terra, é mais uma preocupação da área da aviação”, afirma Marcon.

Riscos à saúde – Em função da altitude da nuvem, as partículas também não devem apresentar riscos à saúde. “Se a concentração no ar aumentar, crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas e problemas pulmonares e cardiorrespiratórios serão mais afetadas”, afirma o pneumologista Ubiratan de Paula Santos, do Departamento de Cardiopneumonia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. “Dependendo da concentração, elas podem aspirar um material com ferro, cloro, enxofre, gás sulfídrico, que inflama os brônquios – especialmente de pessoas que já têm doenças no pulmão.” Mas Santos é categórico ao afirmar que nenhuma pessoa precisa sair com máscaras especiais neste momento. Aos que estão debaixo de uma nuvem vulcânica no Brasil, a recomendação é fechar as janelas da casa e usar aparelhos de ar condicionado para filtrar o ar.

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